COVID-19 e os pacientes com cânceres de origem hematológica

Desde o início da pandemia devido à infecção pelo coronavírus (SARS-CoV-2), especialistas e profissionais de saúde têm se preocupado com os números de casos e complicações da doença (COVID-19) em pacientes oncológicos. Alguns estudos com pacientes que apresentam tumores sólidos mostraram resultados controversos em relação ao risco aumentado de desenvolvimento da COVID-19 após a infecção viral bem como do pior prognóstico desses indivíduos. Além disso, até o momento, poucos estudos foram realizados em pacientes hospitalizados com cânceres hematológicos. Muitos desses indivíduos apresentam cânceres do sistema imune ou recebem a administração de medicamentos que suprimem o funcionamento da medula óssea e, dessa forma, encontram-se suscetíveis à infecção viral. Nesse sentido, um estudo recente analisou dados de pacientes com cânceres hematológicos hospitalizados na cidade de Wuhan, na China, que desenvolveram ou não a COVID-19 e de profissionais da saúde que foram diagnosticados com a doença e que necessitaram de hospitalização. Os pacientes hospitalizados apresentaram, em sua maioria, cânceres hematológicos do tipo: leucemia mieloide aguda, leucemia linfoblástica aguda, linfoma não-Hodgkin, mieloma de células plasmáticas e síndrome mielodisplásica. Os resultados mostraram que, com relação as características basais, não houve diferenças entre pacientes com cânceres hematológicos que desenvolveram ou não a COVID-19. Além disso, a taxa de casos de COVID-19 foi semelhante em pacientes hospitalizados com cânceres hematológicos quando comparada a profissionais da saúde. Contudo, comparando-se os profissionais da saúde com COVID-19 hospitalizados e os indivíduos com cânceres hematológicos, estes apresentaram a doença de forma mais severa além do maior registro de óbitos. Dessa forma, apesar de poucos estudos realizados até o momento com pacientes que apresentam cânceres hematológicos, resultados sugerem a adoção de medidas de isolamento e monitoramento mais intensificadas para esses indivíduos devido ao maior risco de complicação e morte.

Fonte: Wenjuan He e colaboradores (2020). Artigo publicado na revista Leukemia no dia 24 de abril de 2020.
Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41375-020-0836-7.

Enviado por: Charles Elias Assmann, graduado em Ciências Biológicas e aluno de Doutorado em Bioquímica Toxicológica pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5754493402648045.

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