COVID-19 uma doença sistêmica e não meramente respiratória?

Devido à pandemia da Covid-19, a humanidade tem buscado desvendar suas ações, que vêm se mostrando como uma doença sistêmica e não mais meramente respiratória. Nesse sentido, um estudo realizado por Jasper Fuk-Woo Chan et. al, em modelos animais procurou mudanças histopatológicas em diferentes tecidos do corpo.
A pesquisa foi conduzida em hamsters sírios, esta escolha se deve aos seus receptores de angiotensina II (ACE2- receptores  utilizados pelo vírus para infectar as células), que são muito parecidos aos dos seres humanos.
No trato respiratório, a região nasal começou a apresentar descamação e infiltração. Já a traquéia, mostrou tumefação celular (tipo de lesão celular, em que a célula enche-se de água), perda de células ciliadas, infiltração de células mononucleares (células imunológicas, marcador de inflamação), descamação epitelial e apoptose severa (mecanismo de morte celular).
Nos pulmões, era possível enxergar destruição alveolar, exsudato (fluido rico em proteínas e leucócitos), formação de membrana hialina (tipo de tecido cartilaginoso) com infiltração mononuclear. Posteriormente, havia hemorragia pulmonar severa e corpos sinciciais (células gigantes multinucleadas). Cerca de uma semana depois, as estruturas do sistema respiratório já se mostravam em bom estado de recuperação e de combate ao vírus. Ao fim de duas semanas, havia apenas congestão e infecção pulmonar leve.
Conjuntamente aos danos respiratórios, outros tecidos também apresentaram lesão. No intestino, ocorreu necrose celular severa, com destruição das vilosidades, bem como infiltração mononuclear. O baço apresentou diminuição volumétrica, com destruição das polpas branca e vermelha (importantes para o sistema imune). O coração mostrou leve degeneração do miocárdio e edema.
Apesar das limitações relacionadas a este estudo, seus resultados indicam para um comprometimento para além dos órgãos respiratórios, indicando e fortalecendo as teorias de que se trata de uma doença sistêmica e não apenas respiratória.

Fonte: Jasper Fuk-Woo Chan et. al. Publicado na revista Clinical Infectious Diseases.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/advance-article/doi/10.1093/cid/ciaa325/5811871

Enviado por: Augusto Y. Ueno, acadêmico de medicina e aluno de iniciação científica do Laboratório Biogenômica-UFSM.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5505100996396257

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