Estudos apontam que gravidade da Covid-19 é modulada pela força de resposta do sistema imune

Pesquisadores tentam estabelecer uma distinção entre as fases clínicas da infecção viral por SARS-CoV-2, visto que em alguns casos o efeito da doença é muito negativo e em outros o sistema imune acaba suprimindo o vírus, através de uma resposta imune local, que eliminam a infecção, a resposta imune diminui e o paciente se recupera, no entanto respostas imunológicas disfuncionais desencadeiam uma grande liberação de citocinas (sinalizadores celulares) que levam a inflamação pulmonar generalizada e a situações mais graves.
Dessa forma, características clínicas e análises de biomarcadores sugerem então uma forte relação entre a Covid-19, inflamação e progressão da doença, embora, a princípio, os níveis de inflamação sistêmica em pacientes de Covid-19 sejam menores que em doenças como à linfo-histocitose hemofagocítica ( hiperativação imunológica, resultando em hiperinflamação) e a síndrome de ativação de macrófagos, alguns estudos observacionais relatam que biomarcadores inflamatórios que se encontram alterados nesses quadros também estão relacionados a de Síndrome respiratória aguda (SARS) que é uma das consequências graves da Covid-19. Assim, muitos estudos estão voltados a avaliar a relação entre ativação inflamatória e o desfecho da infecção por coronavírus.
Dentre os estudos já em andamento, alguns buscam entender porque a Interleucina 1 (um tipo de proteína produzida por leucócitos –células brancas do sangue- que induz a resposta inflamatória e em grandes quantidades pode induzir a febre) é um alvo atraente para o SARS-CoV-2, essa investigação se fundamenta no fato de que a inibição da IL-1 é positiva no tratamento de pacientes com sepse (uma resposta inflamatória de todo o organismo diante de um infecção, por exemplo, causada por bactérias) e também com SARS, sendo que alguns estudos demonstram que 28% dos pacientes que vão óbito por covid-19 apresentam também sepse. Além disso, essa interleucina parece estar envolvida em lesões pulmonares, como por exemplo, em estudos com macacos a ativação da IL-1 levou ao desenvolvimento de lesão pulmonar aguda associada ao coronavírus. Junto a isso, avaliações pulmonares em pessoas com Covid-19 também apresentam lesões endoteliais ( nas paredes dos vasos sanguíneos) e junto a isso manifestações cutâneas em mãos e pés que parecem estar associada à ativação inflamatória. Com isso, pode-se afirmar que a gravidade da doença não está relacionada apenas a infecção viral, mas também a resposta do hospedeiro, sendo essa capaz de controlar a infecção ou aumentar seus efeitos.
Diante da evolução da doença e as dificuldades em manejos clínicos, farmacológicos ou não, foi feita uma classificação em três níveis da doença, o primeiro, considerado leve, onde ocorre a infecção primária, dependendo do paciente é assintomático ou se tem sintomas inespecíficos de mal-estar. O segundo, considerado moderado, dividido em dois grupos sendo eles, sem e com hipóxia (baixos níveis de oxigênio no sangue). O terceiro e último, denominado de hiperinflamação sistêmica, onde se tem aumento de biomarcadores inflamatórios e redução de células T auxiliares, supressoras e reguladoras que são importantes para a manutenção do equilíbrio do sistema imune, ou seja manutenção dos sistemas de defesa do organismo, sendo esse o quadro considerado mais grave e com um prognostico não muito positivo.
Nesse contexto, muitos estudos e ensaios clínicos envolvendo imunidade, inflamação e Covid-19 estão sendo realizados, no momento mesmo com informações limitadas, existe a sugestão de que ter um sistema imune saudável e funcional é extremamente importante no controle inicial da infecção e que nos estágios subsequentes segurar a resposta inflamatória é tão importante quanto o controle do vírus no organismo.
Sendo assim, o enfoque de estudos atuais, está mais voltado ao hospedeiro do que ao vírus, isso sendo uma nova e positiva abordagem na relação vírus-hospedeiro, abordando não só aspectos relacionados a carga viral como também as individualidades dos grupos afetados pela infecção, sendo isso extremamente importante no manejo de terapias, assim como na elaboração e condução de estudos com prováveis candidatos a medicamentos e vacinas.

Fontes:
Kernan K. e colaboradores. Publicado na revista Lancet Rheumatol, em 07 de maio de 2020. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lanrhe/article/PIIS2665-9913(20)30129-6/fulltext

Siddiqu H. K. e colaboradores. Publicado na revista J Heart Lung Transplant, em 20 de março de 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7118652/

Tay M. Z. e colaboradores. Publicado na revista Nature Reviews Immunology, em 28 de abril de 2020. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41577-020-0311-8

Enviado por: Danieli Monteiro Pillar, Aluna do curso de Farmácia-UFSM, Aluna de Iniciação Científica no Laboratório de Biogenômica e Bolsista FAPERGS.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2981912754714259

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