O diagnóstico e tratamento do câncer estão sendo impactados pela pandemia de Covid-19

Diante do cenário atual da pandemia do novo coronavírus, vivemos um período que a demanda do sistema de saúde pública e privada está voltada a este cenário, deixando muitas vezes, situações de saúde não relacionadas a Covid-19 em segundo plano. Em muitas cidades, o sistema de saúde não comporta a demanda de pacientes, não havendo leitos, infraestrutura necessária, ou ainda, falta de profissionais, como médicos, enfermeiros, técnicos, entre outros. Os grandes reflexos dessa situação, segundo pesquisas, são as implicações importantes em alguns tratamentos, entre eles citamos o tratamento do câncer.
A necessidade de desviar a equipe de saúde e recursos para lidar com a pandemia
resultou na suspensão de programas de rastreamento do câncer em pacientes assintomáticos em muitos países. No país de Gales, por exemplo, o governo suspendeu os programas de rastreamento para câncer de mama, colo do útero e intestino. O mesmo ocorreu na Irlanda do Norte, Inglaterra e Estados Unidos, deixando esses programas em segundo plano.
Além disso, muitos pacientes têm medo da exposição ao SARS-CoV-2 e, portanto, acabam adiando a busca aos serviços de saúde. Isso pode afetar de forma direta o diagnóstico preciso, o tratamento e a cura de um possível câncer. Na Escócia e na Inglaterra, o atendimento por médicos e os cuidados primários foram reduzidos em mais de 70% no mês de abril deste ano, em comparação ao mesmo período dos anos anteriores.
Outro fator importante relacionado ao impacto da pandemia de Covid-19 no tratamento do câncer são as vias de tratamento. Para minimizar a exposição potencial de pacientes com câncer à SARS-CoV-2 e reduzir o risco durante cirurgia ou radioterapia, as vias de tratamento foram alteradas. A maioria das formas de endoscopia e alguns procedimentos, são classificados como geradores de aerossóis, o que aumenta o risco de transmissão da SARS-CoV-2. O mesmo é observado para as colonoscopias que também são propensas a riscos, devido ao prolongamento do derramamento fecal do vírus. No Reino Unido, por exemplo, os números de endoscopias realizadas foram reduzidos em mais de 90% em abril, em comparação com os primeiros três meses deste ano.
Neste mesmo contexto, certos aspectos dos cuidados em andamento foram deixados em segundo plano, isso resulta em pacientes recebendo cuidados abaixo do ideal ou atrasados. A Sociedade Europeia de Oncologia Médica classificou o acompanhamento para a maioria dos cânceres como prioridade baixa ou média nas circunstâncias atuais. No entanto, isso pode ter implicações a longo prazo para a detecção da progressão da doença e complicações que podem afetar os resultados do câncer.
Os procedimentos cirúrgicos foram reduzidos, pois os leitos e os equipamentos respiratórios estão sendo priorizados para os cuidados de pacientes com a Covid-19. Neste sendo, muitos centros de câncer têm usado a quimioterapia neoadjuvante, radioterapia ou terapia hormonal como modalidades terapêuticas enquanto as cirurgias estão sendo adiadas.
Outro impacto importante que a pandemia de Covid-19 resultou, foi na suspensão de muitos ensaios clínicos. Essa interrupção poderá ter efeito duradouro, consequências financeiras e de saúde. Além da perda dos possíveis benefícios à saúde dos pacientes já inscritos nos estudos, uma vez que possiveis novos tratamentos deixarão de estar disponiveis ou até mesmo os estudos não serão reiniciados.
A Sociedade Brasileira de Oncologia, apresenta em sua página (https://www.sboc.org.br) uma série de orientações aos pacientes oncológicos. E relembra que os pacientes oncológicos em geral tem o sistema imune baixo devido ao câncer ou por causa dos tratamentos aos quais são submetidos, sendo assim indispensável manter o cuidado redobrado durante esse momento. Uma pessoa que contrair o coronavírus tem maior risco de sofrer complicações se estiver enfrentando um tumor. Assim, mais do que nunca é preciso seguir estritamente as orientações do médico oncologista que acompanha o caso.

Fonte: Richards M, Anderson M, Carter P, Ebert BL, Mossialos E. The impact of the COVID-19 pandemic on cancer care. Nature CaNCer published online May 21. https://www.nature.com/articles/s43018-020-0074-y.

Enviado por: Dra. Isabel Roggia, Pós-doutoranda em Gerontologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/4020469474371818

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