Banheiro pode ser um local de ampla transmissão de coronavírus

O novo vírus chamado SARS-CoV-2, a qual, desde o fim de 2019, está se disseminando de forma rápida e pouco controlada, tem movimentado o cenário mundial, causando crises na saúde pública, na economia, além do pânico geral acerca de seu contágio, sendo declarada uma pandemia mundial pela Organização Mundial da Saúde, em 11 de março de 2020. Em decorrência disso, cientistas do mundo todo travam uma batalha contra o vírus, na intenção de compreender seu funcionamento e seu poder dentro do organismo humano.

Dentre as diversas descobertas realizadas, a revista Revista Physics of Fluids publicou um artigo, em que uma equipe da Universidade de Yangzhou, localizada na China, utilizou-se de uma modelagem via computador para identificar se ocorre a disseminação do SARS-CoV-2 pela água liberada quando a descarga do vaso sanitário é acionada.

As principais vias de transmissão do SARS-CoV-2 encontram-se no contato direto com superfícies que contenham o vírus e gotículas provenientes das vias respiratórias. Todavia, tendo em vista que alguns pacientes positivados para o novo coronavirus relataram sintomas gastrointestinais, como diarréia e vômitos, mostrando que o vírus pode sobreviver no trato digestivo, além de um estudo, realizado em março de 2020  da universidade Sun Yat-Sen, o qual detectou o vírus em amostras fecais, as evidências indicam que a transmissão fecal-oral pode ser mais uma via para o contato com esse vírus, sendo também uma via de disseminação muito comum para os outros vírus.

 Dessa forma, analisando essa via de contágio, os pesquisadores estudaram dois tipos diferentes de descargas de vasos sanitários (descarga com entrada única e descaga anular), para observar como a dinâmica do fluxo no interior do vaso afeta no movimento das partículas virais para fora do mesmo no ato da descarga nos quais foram investigadas características de fluxo de fluido e o movimento de particulas de aerossol durante a descarga.

Os resultados dessa pesquisa são alarmantes, foi observada forte turbulência nos dois métodos de descarga numa velocidade de até 5 m/s, indicando que certamente isso é capaz de expelir partículas de aerossol para fora do vaso sanitário. Ademais, encontraram que cerca de 40 a 60% do total de partículas podem elevar-se acima do assento do vaso com uma grande área de espalhamento, podendo atingir uma altura de até 1,8 metros do solo e ainda, essa pesquisa descobriu que mesmo após a descarga, as partículas ainda continuam subindo por alguns segundos.

 Diante desses achados, os pesquisadores defendem alguns procedimentos seguros a serem adotados ao usar o banheiro, tais como o mais básico que impediria a transmissão do vírus, sendo o ato de fechar a tampa do vaso antes de utilizar a descarga, além de questões de higiene como limpar o assento do vaso antes do uso na tentativa de retirar qualquer possível partícula viral ali instalada e lavar as mãos minuciosamente após a descarga, visto que o vírus pode estar contido no botão de descarga e na maçaneta da porta. Vale ressaltar, ainda, a recomendação para que os fabricantes de vasos sanitários possam projetar melhor sua produção, como exemplo, desenvolver um método de abaixamento automático da tampa antes da descarga, e limpeza automática antes e após a utilização da descarga. Portanto, mesmo não sendo comprovado cientificamente que o SARS-CoV-2 possui a via de transmissão fecal-oral, as evidências são fortes, e bloquear esse caminho pode reduzir a probabilidade de infecção pelo vírus em áreas circundantes, diminuindo a disseminação global do vírus tanto em países emergentes quanto nos reemergentes, além de contribuir para a redução da transmissão de muitos outros vírus que se disseminam pela via fecal-oral. Sendo assim, fica cada vez mais importante e necessária a prática adequada da higiene tanto das mãos quanto nos ambientes que nos circundam, para assim poder reduzir a taxa de contaminação desse novo vírus.

Fonte: Yun-yun Li e colaboradores. Artigo publicado pela Revista Physics of Fluids em 16 de junho de 2020.
Disponível em: https://aip.scitation.org/doi/10.1063/5.0013318

Enviado por: Jaqueline Grejianim- Acadêmica de Medicina e Aluna de Iniciação Científica Laboratório Biogenômica- UFSM  
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8684395655408465

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinco × um =