Comportamento alimentar pode ser uma resposta às emoções negativas

Um grupo misto de pessoas define o conceito de sociedade e é assim que ela encontra-se constantemente em modificações, quando o assunto é saúde, por exemplo, os níveis de obesidade vêm aumentando. A ingestão de alimentos não é mais exclusivamente uma resposta à fome como um dos sinais fisiológicos do organismo, mas muitas vezes uma forma de recompensa, uma resposta ao tédio ou redução do estresse e regulação emocional. Enquanto a maioria das pessoas tende a diminuir a ingestão de alimentos em resposta ao estresse ou emoções negativas – que podem compreender uma indisposição ou até mesmo aquela dor de estômago que tanto mencionamos-, algumas fazem o contrário, comem de forma exagerada na tentativa de bloquear a reação límbica das emoções, a frustração é uma delas. No entanto, não está claro quem mostra excessos emocionais e sob quais circunstâncias. As teorias de regulação da emoção descrevem excessos emocionais como uma estratégia aprendida para desregular emoções negativas, ou seja, a clássica frase: “chorar faz bem” ou “come um doce, que passa”. As teorias cognitivas, por outro lado, atribuem excessos emocionais a brechas na dieta, percebidas em indivíduos que tentam fazê-la de forma permanente, uma metáfora cotidiana “a ansiedade em fazer a dieta” ou “vou comer, porque hoje eu mereço”. Estas pessoas, após o consumo de “alimentos proibidos”, comem mais do que indivíduos que não restringem sua ingestão de alimentos. Um estudo feito em laboratório, conduzido por Schnepper e colaboradores investigou estes excessos emocionais, expondo os indivíduos a uma indução personalizada de emoções enquanto mostravam imagens de alimentos saborosos. As respostas e as atividades foram coletadas através da exposição às imagens dos alimentos por meio de classificações de imagem (valência, desejo de comer), expressões faciais (eletromiografia do músculo corrugator) e reatividade cerebral, detectando potenciais relacionados a eventos (ERPs) por meio da eletroencefalografia (EEG). A influência da condição emocional (negativa ou neutra) e das diferenças individuais (característica autorreferida emocional e restrição de alimentação) determinou a análise final. As avaliações e as reações apetitivas do músculo corrugator (aquela clássica erguidinha na sobrancelha ou a franzida na testa) às imagens de alimentos mostraram um aumento relativo na condição negativa para indivíduos com maiores escores emocionais de alimentação, com o padrão oposto nos menores escores, assim, aqueles que modificavam sua expressão facial possuíam maior tendência a compulsão por alimentos. As avaliações de desejo de comer mostraram um padrão semelhante em indivíduos que apresentavam uma forte resposta à manipulação de indução de emoção, indicativa de uma relação dose-resposta, logo, assim que os analisados eram expostos a imagem de alimentos os mesmos sentiam vontade de comer. O conceito de dose- resposta pode ser aplicado a diferentes situações, mas classicamente se resume ao fato de sentir algo e suprir de alguma outra forma, com uma dor e um clássico paracetamol, assim é com nossas emoções frente aos alimentos. Os resultados apoiam as teorias de regulação emocional: Aqueles que comem pelas emoções foram capazes de desenvolver uma reação apetitiva nos padrões de classificação. Os achados do EEG sugerem uma atenção motivada à comida naqueles que realizavam restrições dietéticas, o que apoia teorias cognitivas. No entanto, isso não se traduziu em outras variáveis, que podem demonstrar restrições bem-sucedidas. Este estudo traz a relevância do conceito de “luta ou fuga” das emoções; as maneiras dos grupos em relação à condição do sistema límbico e os estímulos, cada qual da sua forma, porém todos buscando ocultar as formas de sentir pela falsa saciedade do alimento. Outros estudos devem ser realizados com o objetivo de investigar a relação entre distúrbios alimentares e dificuldades na regulação emocional.

Fonte: Schnepper e colaboradores. Artigo publicado na revista Frontiers em 03 de Junho de 2020.
Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnbeh.2020.00091/full#h5


Enviado por: Msc. Bárbara Osmarin Turra – Doutoranda em Farmacologia-UFSM
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3529685763828545

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