Entendendo o que são as grandes síndromes geriátricas

A capacidade de manter a funcionalidade global, autonomia e independência, é considerada a melhor forma de manutenção da saúde na velhice. Os conceitos que gestam atualmente o envelhecimento, são norteados para a prevenção de patologias como as doenças crônicas não transmissíveis e os tratamentos de doenças de base que possam provocar a perda da funcionalidade e independência.

Quando pensamos em “saúde”, pensa-se em conceitos como da Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo definido como o mais completo bem-estar biopsicossocial, cultural e espiritual, e não simplesmente a ausência de doenças.

Uma das formas da manutenção da saúde na velhice, já adotadas por diversos órgãos de saúde, é através do envelhecimento ativo, sendo precursor da diminuição de multimorbidades comuns em idosos, como as doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares e a garantia de menor risco para decréscimos acentuados da qualidade de vida.

Quando as funções funcionais, cognitivas ou fisiológicas, são agravadas por processos patológicos associadas as perdas comuns do envelhecimento , podem resultar nas síndromes geriátricas, denominadas também como os grandes “Is” da geriatria e da gerontologia, sendo elas a incapacidade cognitiva, incontinência urinária, instabilidade postural, imobilidade, incapacidade comunicativa e iatrogenia (refere-se a um estado de doença, efeitos adversos ou complicações causadas por ou resultantes do tratamento médico) e insuficiência familiar.

A Incapacidade cognitiva ocorre quando há o comprometimento das funções cognitivas podendo ser de atenção, memória, linguagem, comportamento, capacidade de julgamento, podemos observar perdas acentuadas em idosos com doença de Alzheimer ou outras doenças cerebrovasculares.

A incontinência urinária (IU) ocorre quando tem-se queixa de qualquer perda involuntária de urina, seja por urgência, por esforço, mista ou funcional (devido a agravos como fraturas quem impossibilitam o deslocamento), a prevalência aumenta com a idade,  e as mulheres são mais afetadas, em torno de uma entre três mulheres e um entre cinco homens acima de 60 anos .

A instabilidade postural está relacionada a manutenção da postura corporal, s afeta diretamente a independência dos idosos, e está relacionada ao aumento no número de quedas e ao maior risco de fraturas, fatores que auxiliam a menor taxa de perda de equilíbrio é a organização ambiental, como evitar o uso de tapetes ou objetos espalhados para casa, bem como o uso de dispositivos para auxiliar marcha, como os andadores .

A imobilidade era antigamente considerada apenas a restrição dos movimentos, entretanto há um conjunto de alterações que ocorrem no indivíduo acamado, desde alterações musculares como atrofia, cutâneas como ulceras por pressão ou respiratórias aumentando o índice de pneumonias. Entre as causas que podem levar a imobilidade estão as fraturas de fêmur, lesões neurológicas ou doenças degenerativas como o Parkinson ou o Alzheimer.

 A incapacidade comunicativa ocorre quando tem-se a perda  da comunicação , tanto verbal (fala) como não verbal (sinais, mimicas, escrita, entre outras), que repercutem negativamente na participação social, bem como na capacidade de tomada de decisões (determinada pela manutenção da comunicação, cognição e humor).

Quando se tem um efeito adverso indesejável decorrente do uso de um medicamento ou procedimento médico prescrito , que cause prejuízo a saúde do idoso, temos a Iatrogenia, entre os fatores que aumentam a susceptibilidade estão a polifarmacia (ingesta de 5 ou mais medicamentos diferentes por dia),  número de doenças e automedicação, entre as consequências estão quedas, alterações na função cognitiva como perdas de memória e equilíbrio, entre outras .

Outra síndrome geriátrica é a insuficiência familiar, esta ocorre devido a sobrecarga entre cuidado ao idoso, trabalho e convívio familiar, por vezes quando o idoso perde a funcionalidade e necessita de maior cuidado, a família necessita estar em todos os momentos prestando cuidado, o que leva a desgastes emocionais e físicos, e podem acarretar em maior risco de institucionalização.

As síndromes geriátricas devem ser conhecidas, e melhor diagnosticadas, pois ocasionam perdas funcionais muitas vezes irreversíveis, e que impactam diretamente na saúde do idoso, deixando-os mais expostos a eventos tais como o maior risco de internações hospitalares, maior permanência hospitalar, institucionalização e óbitos, desta forma o cuidado e atenção deve ser vista de forma a prevenir e identifica-las precocemente e garantir qualidade de vida ao longo da velhice.

Fonte: Carlson, M, Yukawa M. Artigo publicado na Revista Medical Clinics of North America em 2015.
Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S002571251400193X?via%3Dihub

Enviado por: MSc. Thamara Graziela Flores. Fisioterapeuta, Doutoranda em Farmacologia Universidade Federal de Santa Maria.
Currículo Lattes:  http://lattes.cnpq.br/1885218080678884

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