Herpes labial: Efeito antiviral do extrato de folha de oliveira e do própolis

Você já deve ter ouvido falar em herpes ou até mesmo tido. Herpes é uma doença causada por dois tipos de vírus: o vírus Varicela-Zóster (VVZ), que causa catapora (varicela) e também o popularmente conhecido cobreiro (herpes zóster) e os herpesvírus tipo 1 e tipo 2, que causam o chamado herpes simplex. O herpes simplex é uma infecção viral comum, para a qual 99% da população adulta já adquiriu imunidade na infância e na adolescência, tendo infecção subclínica (assintomática) ou um único episódio, obtendo resistência ao vírus para toda a vida. A herpes simplex está relacionada a infecção labial. O “herpes labial” se caracteriza por vermelhidão, ardor e pequenas bolhas preenchidas com líquido claro, comumente na região do lábio ou na parte interna da boca. O seu aparecimento é facilitado, por diferentes motivos, muitas das vezes por baixa na imunidade ou situações recorrentes de estresse. O tratamento farmacológico é feito com Aciclovir, nas formas farmacêuticas em comprimido e pomada, porém, o uso contínuo e a automedicação têm tido como consequências o relato de resistências virais e, é nesse contexto que a exploração de novas moléculas ativas pode tornar-se alternativas de tratamento.  Ainda que hajam estudos sobre o desenvolvimento de moléculas sintéticas nas ciências médicas e na farmacologia, as ervas como a fonte natural de compostos biologicamente ativos permanecem populares. Assim, em um estudo in vitro, o extrato de folha de oliveira (OLE) e o própolis isoladamente ou em combinação com o Aciclovir foram investigados por sua eficácia antiviral no herpes simplex tipo I ( HSV-1). Os experimentos foram realizados via cultura celular convencional e análises celulares em tempo real (RTCA). Esta técnica permite o monitoramento da adesão, morfologia, e proliferação das células, isto é: “Até que ponto estes compostos são benéficos para o tratamento do HSV – 1”. Combinações de extratos e Aciclovir em concentrações pelo menos quatro vezes menores que a menor concentração mostrando eficácia antiviral contra o HSV-1 foram analisadas e cultivadas com as células Hep-2 – estas células são utilizadas para mimetizar as células de um corpo humano que possuí o vírus. No teste com duas durações distintas e em diferentes concentrações de OLE e própolis, foi observada eficácia antiviral com incubação de uma hora e três horas a uma concentração de 10 μg / ml para o própolis e 1,2 mg / ml para OLE.  A combinação de própolis e OLE com Aciclovir não causou efeitos citopáticos, ou seja, não alterou negativamente as células  e, a combinação de extratos levou a um efeito citopático tardio, ou seja, houve uma alteração nas células. De acordo com esses resultados, a própolis e o OLE, isoladamente e em combinação com o Aciclovir, têm eficácia antiviral contra o HSV-1. Esses agentes podem reduzir a dose e os efeitos colaterais do Aciclovir em caso de coadministração, pois exercem seus efeitos por um mecanismo diferente do Aciclovir, possivelmente por atividade víricida direta, inibição da internalização do vírus ou inibição viral nos estágios iniciais da replicação (inibição da adsorção / ligação de partículas virais à célula). Esses extratos que não requerem conversão para a forma ativa têm o potencial de reduzir a infecciosidade em lesões orais, impedir a disseminação e ser usados ​​no tratamento tópico de infecções por HSV -1 resistentes ao Aciclovir, principalmente em pacientes imunocomprometidos. Contudo, estudos in vivo devem ser conduzidos para determinar suas propriedades medicinais e possíveis toxicidades. Esses resultados devem ser apoiados por estudos abrangentes e a eficácia contra outros vírus também deve ser investigada, possibilitando assim alternativas terapêuticas.

Fontes: Altındis e colaboradores. Artigo publicado na revista Mikrobiyol em Janeiro de 2020.
Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32050880/
Sociedade Brasileira de Dermatologia. Doenças: Herpes, 2017. 
Disponível em: https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/

Enviado por: Msc. Bárbara Osmarin Turra – Doutoranda em Farmacologia- UFSM
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3529685763828545

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