Perdas fisiológicas e patológicas relacionadas ao envelhecimento

O envelhecimento populacional é uma realidade mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos em países pobres e com 65 anos ou mais em países ricos. No Brasil temos mais de 28 milhões de pessoas nessa faixa etária, representando 13% da população do país. E esse percentual tende a dobrar nas próximas décadas, segundo a Projeção da População, divulgada em 2018 pelo IBGE.
O processo do envelhecimento humano é comporto por uma série de alterações a nível celular e orgânico, natural e inerente ao ser humano, todos os seres vivos envelhecem e possuem perdas funcionais, entretanto o envelhecimento não é um processo predominantemente dependente da genética e sim multifatorial, respeitando assim o papel dos hábitos de vida sobre a forma que envelheceremos.
As alterações comuns do envelhecimento são consideradas fisiológicas e denominadas senescência, e representam mudanças que não afetam diretamente a qualidade de vida dos idosos, um exemplo são os cabelos brancos, ou a formação de rugas. Entretanto quando estas alterações passam a representar declínios significativos na funcionalidade e na qualidade de vida, o processo torna-se patológico, sendo denominado senilidade.
As perdas fisiológicas ou patológicas relacionadas ao envelhecimento, estão diretamente ligadas as escolhas feitas no decorrer dos anos, um exemplo é a pratica de atividade física, ou a alimentação saudável, indivíduos que são sedentários, ou que possuem hábitos como tabagismo ou alcoolismo, apresentam chances maiores de apresentar declínios mais acentuados, bem como de maior chance de desenvolver doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), sendo estas a maior causa de mortes em indivíduos acima de 60 anos no mundo, e responsáveis pela senilidade.
É necessário diferenciar a senilidade da senescência e entender os papeis que cada uma exerce no envelhecimento, pois a senilidade predispõe os idosos a maior mortalidade, multimorbidades (diversas doenças), institucionalização e maiores gastos com saúde, quanto antes processos de declínios fisiológicos acentuados sejam diagnosticados, menos funções orgânicas serão perdidas e menos impacto terá na vida deste idoso.
Um dos grandes marcadores de perdas patológicas e que merecem atenção são as síndromes geriátricas, descritas como os grandes “Is” da geriatria e da gerontologia, sedo elas a imobilidade(diminuição da mobilidade), insuficiência cognitiva, incontinência urinária (qualquer perda involuntária de urina), Iatrogenia(qualquer alteração patogênica provocada pela prática médica), Instabilidade postural (perceptível por quedas da própria altura) , incapacidade de comunicação e insuficiência familiar, sendo as maiores responsáveis por déficits severos na funcionalidade e independência dos idosos .
A senilidade está estreitamente ligada a estas síndromes, por se tratar de perdas patológicas, ambos os processos tendem a impactar de forma negativa a vida dos idosos, um exemplo do impacto da senilidade na vida do idoso é a perda de equilíbrio, caraterizada como uma síndrome geriátrica de instabilidade postural, relacionada ao aumento do números de quedas e que pode levar a uma das maiores causas de morte em idosos que são as fraturas de fêmur, o que se liga a outra síndrome geriátrica que é a da imobilidade, os ciclos patológicos se intensificam e podem levar o idoso além da hospitalização, a institucionalização ou a morte.
Desta forma é necessário estar atento a qualquer alteração que possa desencadear a piora no estado funcional dos idosos, a fim de que possam permanecer com sua independência funcional e autonomia preservados, a atenção a estas perdas evita que o idoso ingresse em uma das síndromes geriátricas e tenha os impactos negativos como aumento da mortalidade ou da morbidade.

Fonte: FLUETTI, Marina Tadini et al.Artigo publicado no Rev. bras. geriatr. gerontol.
Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-98232018000100060&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Enviado por: MsC. Thamara Graziela Flores. Fisioterapeuta, Doutoranda em Farmacologia Universidade Federal de Santa Maria
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1885218080678884

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