Café traz benefícios a saúde, desde que não seja consumido em excesso

O café está entre as bebidas mais consumidas no mundo e é um produto de grande importância em diversas culturas. O Brasil, segundo dados da Organização Internacional do Café (OIC) é o segundo maior consumidor da bebida no mundo, sendo responsável por 13% da demanda mundial e estando atrás apenas dos Estados Unidos (EUA). Ainda, segundo a Associação Brasileira de Indústria do Café (ABIC), 95% da população brasileira consome o produto cotidianamente.

Uma das principais razões para o alto consumo de café mundialmente é sua composição rica em cafeína, um composto psicoativo amplamente utilizado, principalmente para aumentar o estado de alerta e a produtividade no trabalho e nos estudos. No entanto, o café também possui diversos outros compostos, como magnésio e vitamina B3.

A cafeína, após consumida, é absorvida completamente em apenas 45 minutos e seu nível no sangue atinge o pico entre 15 minutos e 2 horas. Sua metabolização (processo de transformação da cafeína em outras substâncias, relacionado com seu consumo e eliminação) ocorre no fígado, sendo que o tempo desse processo varia bastante entre diferentes pessoas. Em geral, recém-nascidos e mulheres em uso de anticoncepcional oral possuem um tempo de metabolização maior, o que potencializa os efeitos da cafeína. Já fumantes e mulheres grávidas possuem um tempo de metabolização menor.

Em doses moderadas (2 a 5 xícaras diárias), a cafeína é capaz de diminuir fadiga e aumentar o estado de vigilância durante tarefas de longa duração e monótonas, como viagens longas. No entanto esse efeito é limitado e não é observado em estados de privação extrema de sono e, ainda, quando consumida ao final do dia, está associada com dificuldades para dormir, estando ainda relacionada a um sono de pior qualidade.

Pessoas acostumadas ao consumo habitual de cafeína podem sofrer com sintomas de abstinência quando há uma parada abrupta na ingestão. Os principais sintomas são dor de cabeça, fadiga, diminuição do estado de alerta, mau humor e até quadros parecidos com estado gripal e podem ser amenizados com uma diminuição gradual das doses diárias consumidas. Ainda, em doses extremamente altas (cerca de 12 xícaras), a cafeína pode gerar ansiedade, inquietação, nervosismo, insônia e inconsistência na fala.

No entanto, apesar de possuir os efeitos a curto prazo bastante elucidados, ainda é de grande preocupação de pesquisadores os efeitos a longo prazo do consumo de café e sua relação com doenças crônicas.

Pesquisas mostram que o consumo isolado de cafeína está relacionado com o aumento da pressão arterial. No entanto, o consumo de café não apresentou essa relação, possivelmente devido às outras substâncias presentes na bebida. Dessa forma, o consumo do café não foi associado ao aumento do risco de hipertensão, em uma dose de até 6 xícaras por dia. Ainda, observou-se que o café está relacionado com uma redução no risco de doenças cardiovasculares. No entanto, preparados não filtrados, como os feitos em prensa francesa, se mostraram responsável por aumentos nos níveis de colesterol.

Alguns estudos mostraram que a cafeína está relacionada com uma redução do apetite, contribuindo para um menor ganho de peso. Dessa forma, seu consumo parece diminuir o risco de desenvolvimento de Diabetes tipo II. Vale ressaltar, no entanto, que algumas bebidas cafeinadas, como refrigerantes, possuem um alto teor de açúcar e, portanto, estão relacionadas com ganho de peso.

Ainda, o consumo de café se mostrou relacionado com uma diminuição no risco de desenvolver câncer de pele, de mama e de próstata, e outras doenças, como cirrose hepática, cálculo renal, cálculo biliar e doença de Parkinson. O café também possui substâncias com conhecida capacidade imunomoduladoras, ou seja, são capazes de agir no sistema imune, colaborando para o seu fortalecimento e uma melhora na defesa do organismo.

Em geral, o consumo de café não se mostra relacionado com o desenvolvimento de doenças crônicas e, na verdade, quando em moderação, é protetor contra o desenvolvimento de algumas doenças. Dessa forma, apesar de não haver recomendações de consumo de cafeína como prevenção para doenças, o consumo de cerca de 2 a 5 xícaras de café diariamente podem fazer parte de uma alimentação saudável. Claro, que sempre que possível comente com seu médico, nutricionista sobre o consumo de café, em alguns casos ele pode interagir com remédios e causar efeitos indesejados.

Fontes: Van Dam, R. M. et al. New England. 2020.
Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra1816604?query=featured_home

Desconhecido. Cafeicultura. 2019.
Disponível em: https://revistacafeicultura.com.br/?mat=67988

Gokcen, B. Sanlİer, N. Critical Reviews in Food Science and Nutrition. 2017.
Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/10408398.2017.1369391

Enviado por: Daniel Augusto de Oliveira Nerys, acadêmico do Curso de Medicina e aluno de iniciação científica do Laboratório Biogenômica-UFSM.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6856876692474909

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

doze + 19 =