Como fica o coração dos pacientes positivos para Covid-19?

Na última segunda- feira, dia 27, dois estudos a cerca do sistema cardíaco frente à infecção por coronavírus foram publicados, e direcionaram o vírus para mais um patamar de morbidade: O músculo intermediário do coração, também chamado de miocárdio. O fato é que muitas evidências nos colocam em alerta a pacientes pré-dispostos desde o início da pandemia, como aqueles de hipertensão ou com cardiopatias (popularmente, “problemas de coração”), por exemplo, que são comorbidades fatoriais para a infecção viral, ou seja, é mais fácil para o vírus infectar e causar danos. Os estudos então, se concentraram em avaliar como o coração responde no organismo após o contágio do coronavírus, ou depois de estes pacientes serem considerados curados. Um destes estudos trás resultados após a autópsia de 39 pacientes, ou seja, após o óbito pelo vírus; Destes, 60% tiveram o vírus detectado, de forma direta no miocárdio mesmo não tendo lesões visíveis ou positivas de forma macroscópica (“a olho nu”) no órgão. O outro estudo coloca em evidência os danos em longo prazo, avaliando 100 pacientes considerados curados após semanas, especificamente após 71 dias. Essa avaliação fora feita via ressonância magnética, e foi possível mostrar um resultado preocupante, sendo que dos 100 pacientes, 78 apresentaram inflamação no coração, também chamada de miocardite, mesmo sendo classificados como “curados”. Os dois principais resultados direcionam para a importância do acompanhamento cardiológico durante a infecção pelo novo coronavírus e após o contágio e cura do mesmo, além de elevarem o alerta aos fármacos potenciais de efeitos colaterais cardiológicos, como é o caso da Hidroxicloroquina ou Cloroquina. Não se sabe ao certo, até quando e qual a extensão a nível sistêmico da doença. O coronavírus, ainda é considerado um agente patológico recente e de mistérios, por isso, muitas coisas tendem a serem esclarecidas ao tempo, assim, equiparando a outros vírus já conhecidos e sua relação ao coração, o coronavírus parece ultrapassar as barreiras de uma miocardite, passando para complicações como arritmias, infarto agudo, insuficiência cardíaca e tromboembolismo. O que chama atenção são as evidências de que a saúde do coração está comprometida mesmo em pacientes curados. Os casos de inflamação persistentes tendem a levar ao desenvolvimento de insuficiência no coração. Os resultados ainda que preliminares com uma única população e de um período curto de avaliação, não limitam a necessidade de novos estudos, bem pelo contrário, deixam a responsabilidade de serem feitas maiores análises em tempos e condições distintas, relacionando a doença de base e sua ação em logo prazo; Uma das autoras não descarta a possibilidade de maior significância da infecção e inflamação no coração ser mais significativa, na medida em que o tempo passa, baseando-se naquilo que já se sabe a respeito de doenças virais. Se assim for, devemos estar preparados para longos efeitos após a pandemia. Já que o número de pessoas infectadas ultrapassa a marca de 16 milhões no mundo.

Fontes: Lindner e colaboradores. Artigo publicado na revista JAMA Cardiology, julho de 2020. 
Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamacardiology/fullarticle/2768914

Puntmann e colaboradores. Artigo publicado na revista JAMA Cardiology , julho de 2020.
Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamacardiology/fullarticle/2768916

Enviado por: Msc. Bárbara Osmarin Turra – UFSM
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3529685763828545

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