Indústria têxtil aposta na nanotecnologia para ajudar no combate da Covid-19

Atualmente, em busca de soluções que possam contribuir na prevenção da Covid-19, a indústria têxtil vem se aperfeiçoando, cada vez mais, no desenvolvimento de novas tecnologias na produção de tecidos para confecção de roupas.

Neste contexto, e o uso de compostos ativos associados a nanotecnologia, os quais possam interagir de forma mais específica contra os vírus, como é o caso do SARS-CoV-2, causador da Covid-19, está atraindo atenção cada vez maior dos pesquisadores.

Nesta área, as nanopartículas metálicas fornecem uma interessante oportunidade para novas terapias antivirais, uma vez que, os metais dependendo do meu método de produção, tamanho e forma, podem atacar diferentes alvos nos vírus, levando consequentemente, há uma menor possibilidade de desenvolver resistência em comparação com os antivirais convencionais.

Dentre as nanopartículas metálicas, as nanopartículas de prata, são considerados compostos com grande potencial antimicrobiano, antifúngico, anti-inflamatório, antitumorais e antiviral. Em relação a ação antiviral, essas nanopartículas apresentam a capacidade de inibir a ligação entre o vírus e as células hospedeiras, impedindo desta forma a propagação viral.

A utilização destas partículas já demostrou eficiência contra o vírus do HIV-1, hepatite B, herpes simples, vírus influenza A, H1N1, entre outros.

A partir desta potencialidade, algumas empresas brasileiras estão apostando na utilização da nanotecnologia, através da produção de materiais com potencial agente antimicrobiano, antifúngico e antiviral, como é o caso das nanopartículas de prata.

A empresa catarinense TNS Nanotecnologia, por exemplo, desenvolveu o Protec-20®. Um produto disponível na forma líquida, em pó ou em resina, a base de nanopartículas de prata, que apresentam a capacidade de eliminar a propagação de diferentes vírus em diversos meios, além de auxiliar na inibição e replicação de bactérias que podem ser possíveis células hospedeiras. Esse produto está sendo vendido principalmente para a indústria têxtil, que pode ser utilizado na fiação ou no tingimento da roupa.

Os testes de eficácia do Protec-20® foram realizados em laboratório especializado, segundo as normas da ISO 18184, que dispõe sobre as atividades antiviral para produtos têxteis. Os resultados mostraram ação virucida e antimicrobiano até 99,999%.

Nesta mesma linha, a empresa Paulista Nanox, apoiada pela Agência Fapesp de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), e em colaboração de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), da Universitat Jaume I, da Espanha, e do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), desenvolveu um produto a base de micropartículas de prata.

Os testes de eficácia foram realizados em parceria com pesquisadores da ICB-USP, os quais isolaram e cultivaram em laboratório o SARS-CoV-2, obtido dos dois primeiros pacientes brasileiros diagnosticados com a doença no Hospital Israelita Albert Einstein. Os resultados de eficácia das micropartículas de prata contra o SARS-CoV-2, mostraram que o material foi capaz de eliminar 99,9% da quantidade do vírus em apenas dois minutos de contato. Em testes relacionados à propriedade bactericida, os materiais foram capazes de controlar fungos e bactérias em tecidos mesmo após 30 lavagens.

A Nanox também está testando a eficácia dessa tecnologia na superfície de outros materiais como por exemplo, em polímeros flexíveis (que são materiais utilizados na fabricação de sacolas plásticas, filmes para embalagens, sacos plásticos, entre outros). O objetivo é criar outros produtos com capacidade antiviral.

Usando o mesmo princípio, a startup paulista, ChemBioNano, desenvolveu um produto a base de nanopartículas de prata, o qual proporciona proteção contra o novo coronavirus e pode ser empregado na forma de sprays para esterilizar superfícies e material usado no atendimento de paciente. Ou ainda, podem ser utilizados para a fabricação de tecidos, vestimentas, produtos para uso hospitalar com propriedades antissépticas.

Utilizando essa tecnologia, a Malwee®, criou uma linha de produtos, a Malwee Protege®, composta por máscaras e camisetas produzidas em tecido com acabamento antiviral, antibacteriano e antifúngico. Para os tecidos, os testes de eficácia foram conduzidos pela empresa têxtil suíça HeiQ, juntamente com o instituto Australiano, Peter Doherty para Infecção e Imunidade em Melbourne. Os resultados mostraram que o tecido, apresentou ação contra o SARS-CoV-2, além de ação bactericida e antifúngica, mantendo essas propriedades protetoras por mais de 30 lavagens.

A linha Malwee Protege® (com quatro opções de camisetas femininas, quatro opções de camisetas masculinas, quatro opções de camisetas para menina e quatro opções de camisetas para menino) estará disponível para venda a primeira quinzena deste mês. Mais uma vez, a nanotecnologia vem demostram-se ser uma grande aliada no desenvolvimento de novos produtos que possam contribuir para a proteção contra o SARS-CoV-2, causador da Covid-19.

Fonte: Lara H.H. et al., 2010. Mode of antiviral action of silver nanoparticles against HIV-1. J. Nanobiotechnol, 8, 1–10
Disponível em: doi:10.1186/1477-3155-8-1.

Lu L.; et al. 2008. Silver nanoparticles inhibit hepatitis B virus replication. Antivir. Ther, 13, 253–262.

Baram-Pinto D.; et al., 2010. Inhibition of HSV-1 attachment, entry, and cell-to-cell spread by functionalized multivalent gold nanoparticles. Small, 6, 1044–1050
Disponível em: https://doi.org/10.1002/smll.200902384.

Galdiero S. et al., 2011. Silver Nanoparticles as Potential Antiviral Agents. Molecules, 16, 8894-8918; doi:10.3390/molecules16108894.

Mori Y. et al., 2013. Antiviral activity of silver nanoparticle/chitosan composites against H1N1 influenza A virus. Nanoscale Research Letters, 8:93
Dísponivel em: http://www.nanoscalereslett.com/content/8/1/93.

Enviado por: Isabel Roggia, graduada em Farmácia pela Universidade Franciscana (UFN) e Pós-doutoranda em Gerontologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/4020469474371818.

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