Insulina de ação ultrarrápida poderá facilitar o controle da glicemia em pacientes diabéticos

Atualmente, mais de 40 milhões de pessoas no mundo vivem com diabetes mellitus do tipo 1.  A diabetes do tipo 1 é uma doença autoimune (significa que o sistema imunológico do corpo ataca células saudáveis do próprio organismo) caracterizada pelo aumento nos níveis de glicose sanguínea (hiperglicemia), devido à uma deficiência na produção do hormônio insulina ocasionada pela perda das células do pâncreas conhecidas como células β-pancreáticas, ou simplesmente células-β, responsáveis pela produção da insulina. Essa doença é uma das condições endócrinas e metabólicas mais comuns que ocorrem na infância e na adolescência.

O hormônio insulina ajuda a permitir a entrada da glicose (produto da degradação ou quebra dos alimentos ingeridos) nas células, nas quais será utilizada como uma das principais fontes de energia para o nosso organismo. Contudo, sem a insulina, a glicose não consegue ser absorvida pelas células e suas concentrações, ou quantidades, aumentam na corrente sanguínea. Os altos níveis de glicose no sangue são prejudiciais ao organismo e são responsáveis por causar vários dos sintomas e complicações da diabetes. Como os indivíduos portadores de diabetes tipo 1 não produzem insulina, ou em níveis muito baixos, esses pacientes necessitam da utilização de terapias para a reposição desse hormônio de forma diária que ocorre, geralmente, através de injeções de insulina de forma subcutânea.

A diabetes tipo 1 pode ser controlada seguindo corretamente as recomendações médicas, hábitos de vida saudáveis e controlando os níveis de glicose sanguínea. Com relação aos níveis de glicose, estes precisam ser devidamente regulados, prevenindo grandes oscilações, através da aplicação de quantidades específicas de insulina após as refeições, de acordo com a ingestão alimentar. Diversas formulações para a insulina têm sido utilizadas há quase 100 anos para tratar a diabetes. Entretanto, infelizmente, as formulações para a insulina encontradas atualmente ainda não conseguem “imitar” a secreção, ou liberação, de insulina endógena (ou seja, do próprio organismo), que atinge o seu pico de concentração no sangue, aproximadamente, após 30 minutos em indivíduos que não são diabéticos.

Atualmente, os análogos de rápida ação da insulina endógena (ou seja, substâncias ou moléculas de ação parecida com a insulina que é produzida pelo organismo) apresentam um tempo de demora para o início da ação de cerca de 20 a 30 minutos, pico de ação entre 60 a 90 minutos e tempo de duração de ação de 3 a 4 horas. Essas características geralmente são resultado da mistura de moléculas que podem ser encontradas nas formulações atualmente disponíveis para a insulina. Dessa forma, uma formulação para a insulina de rápida absorção do espaço subcutâneo e de maior semelhança com a liberação de insulina pós-prandial (ou seja, após uma refeição) é necessária para oferecer um controle melhor dos níveis de glicose sanguíneos. Além disso, uma formulação mais estável para a insulina, de ação mais rápida e com tempo de duração de ação menor, auxiliaria diminuindo o risco de hipoglicemia pós-prandial em pacientes diabéticos. Nesse sentido, pesquisadores conseguiram desenvolver uma formulação que utiliza excipientes (ou seja, determinadas substâncias encontradas em medicamentos e que não possuem atividade farmacológica, ao contrário do princípio ativo de um medicamento, mas auxiliam na estabilidade ou preparação do mesmo) capazes de reduzir a agregação da insulina. Para estudar o potencial das formulações da insulina de ação ultrarrápida, os cientistas utilizaram um modelo animal de diabetes em suínos deficientes na produção de insulina. Os resultados indicaram que a formulação da insulina apresentou um pico de ação mais rápido em comparação a uma formulação comercial disponível de insulina de ação rápida. Entretanto, pesquisas clínicas em humanos ainda precisam ser desenvolvidas de forma rigorosa para verificar a biocompatibilidade, segurança e eficácia da nova formulação de insulina desenvolvida. Com isso, essa nova formulação, mais estável e de ação ultrarrápida, pode ser uma possível candidata para ajudar no controle mais adequado da glicemia, melhorar o tratamento e a qualidade de vida de pacientes diabéticos.

Fontes:

(1) Joseph L. Mann e colaboradores (2020), “An ultrafast insulin formulation enabled by high-throughput screening of engineered polymeric excipients”. Artigo publicado na revista Science Translational Medicine.
Disponível em: https://stm.sciencemag.org/content/12/550/eaba6676.

(2) Anastasia Katsarou e colaboradores (2017), “Type 1 diabetes mellitus”. Artigo publicado na revista Nature Reviews Disease Primers.
Disponível em: https://www.nature.com/articles/nrdp201716.

(3) Centers for Disease Control and Prevention (CDC, USA). “Type 1 Diabetes”.
Disponível em: https://www.cdc.gov/diabetes/basics/type1.html

Enviado por: Charles Elias Assmann, graduado em Ciências Biológicas e aluno de Doutorado em Bioquímica Toxicológica pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5754493402648045.

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