Muito mais que um perfume agradável: óleos essenciais atuam na melhora do sistema imune

O sistema imune é composto por um conjunto de células, moléculas, tecidos e glândulas do corpo humano que possuem função de proteger o organismo contra infecções. Este sistema apresenta duas formas de defesa, a resposta imune inata e a adaptativa ou adquirida. A imunidade inata é considerada a primeira reação de defesa do corpo humano e está presente desde o nascimento, sendo assim, considerada natural, o que significa que ela não precisa da exposição à um agente invasor para a sua existência. Ao contrário, a imunidade adquirida, como o próprio nome sugere, é conseguida ao logo da vida, pela exposição a agentes agressores.

A manutenção da saúde é dependente da boa atividade do sistema imune. Isto quer dizer que, quando o sistema imune encontra-se em perfeito estado, as respostas imunes, inata e adaptativa, exercerão sua atividade protetora de forma mais eficiente. Neste contexto, há várias formas de conservar o sistema imune em boas condições, entre elas encontram-se: manter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos regularmente, controlar o estresse, ter uma boa qualidade do sono e dormir a quantidade de horas recomendada (em média 8 horas por noite). Ainda há a possibilidade de suplementação via ingestão de  vitaminas e o uso de plantas com propriedades imunoestimuladoras.

Existe um interesse crescente nos efeitos imunomoduladores de compostos derivados de plantas (fitoterápicos). A fitoterapia consiste em uma forma mais natural de manutenção da saúde e, por este motivo, tem sido muito estudada nas últimas décadas, tendo sido amplamente aplicada como coadjuvante no tratamento de inúmeras doenças, bem como na prevenção das mesmas. Dentro dos fitoterápicos há a aromaterapia, a qual consiste em um campo da medicina complementar que usa óleos essências para tratar e prevenir doenças.

Os óleos essenciais são óleos voláteis, aromáticos e altamente concentrados, de origem vegetal, que podem ser extraídos de diferentes partes das plantas. Eles são compostos por numerosos constituintes químicos, os quais são responsáveis pelo desempenho de suas atividades. A sua utilização pode ser feita por diferentes vias de administração, podendo ser tópica, através de massagens, ou pela inalação.

Já foi constatado, em estudos in vitro (com células) e in vivo (com animais e seres humanos), que certos óleos derivados de diferentes plantas possuem propriedades capazes de modular o sistema imune, exercendo efeitos positivos. De acordo com a revisão de literatura feita por Peterfalvi e colaboradores, as atividades exercidas podem variar de acordo com cada espécie vegetal. Desta forma, a atividade imunoestimuladora dos óleos essenciais pode ocorrer através da estimulação da atividade das células responsáveis pela resposta imune inata.

À nível molecular, o aumento da proteção pode ser devido ao incremento dos níveis de citocinas que estimulam o processo inflamatório, levando à ativação do sistema imunológico, ou, devido a uma maior quantidade de citocinas anti-inflamatórias, reprimindo a produção de mediadores inflamatórios em excesso, equilibrando a atividade do sistema imune.  Os óleos essenciais podem atuar ainda estimulando a proliferação das células T e B, principais componentes da resposta imune adquirida. As células B são responsáveis pela produção de anticorpos (Ig) (proteínas encontradas no sangue, que atuam na defesa do organismo contra agentes estranhos), como, por exemplo, o IgA, IgG e as células T. Desta forma, os óleos essenciais podem melhorar a defesa do organismo através do aumento da produção de anticorpos, como o IgA e o IgG, melhorando a resposta imunidade adquirida.

Vale a pena listar alguns óleos essenciais específicos que são mais comuns no mercado, e que, de acordo com os estudos, apresentam boas atividades imunoestimuladoras. Estudos demonstram que o óleo essencial de eucalipto (Eucalyptus globulus), além de possuir propriedades anti-inflamatórias, foi capaz de estimular a atividade e a quantidade de células responsáveis pela resposta imune inata em cultura celular, após 24 horas de tratamento com o óleo essencial, e em ratos após 15 dias de administração.

De maneira semelhante aos efeitos proporcionados pelo óleo essencial de eucalipto, o óleo essencial de lavanda demonstrou melhorar a resposta imune inata estimulando a atividade celular, mas também atuando como anti-inflamatório, controlando a resposta inflamatória consequente da agressão e equilibrando a reação imune geral. Além destes, o óleo essencial de laranja foi associado a um aumento significativo dos níveis de anticorpos IgA e IgG após 28 dias de administração em camundongos. Entretanto, é importante ter consciência de que, embora os óleos essenciais sejam compostos naturais, o seu uso indiscriminado e em excesso, bem como a ingestão destas substâncias, pode causar danos reais à saúde, como, por exemplo, reações alérgicas e problemas respiratórios. Lembre-se sempre: a diferença entre o remédio e o veneno é a dose!

Fontes: Peterfalvi e colaboradores. Publicado em Molecules em 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6943609/

Enviado por: Nathália Cardoso de Afonso Bonotto – Esteticista Pesquisadora – Laboratório Biogenômica – UFSM
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4055216682279933

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