Óleos vegetais são aliados na cicatrização de feridas

Na atualidade, quando se fala em cicatrização, é cada vez mais comum a busca por produtos milagrosos que fazem aquelas “marquinhas indesejadas” sumir. Nesse sentido, produtos naturais podem ser benéficos para ajudar em situações como essa, principalmente óleos vegetais naturais. Pensando nisso, pesquisadores da Universidade de Ljubljana, na Eslovênia, realizaram um estudo no qual foram analisados em células e em animais e seres humanos amostras de vários óleos vegetais e sua atuação na pele para facilitar a cicatrização, quanto para melhorar a hidratação da pele, promover a síntese de colágeno e, até mesmo, acelerar a cicatrização em casos de queimaduras. O estudo avaliou os efeitos de diversos óleos vegetais  conhecidos e utilizados pela  população.

Primeiramente, já se sabe que os principais poderes dos óleos vegetais testados pelos pesquisadores eslovenos são a ação antimicrobiana, anti-inflamatória, a promoção de atividades antioxidativas na pele (a oxidação da pele, pode ser encarrada como uma ferrugem em uma palha de aço), a proliferação de novas células, o aumento da síntese de colágeno, o estímulo à reconstrução epitelial e o reparo da barreira lipídica (que fundamental para a proteção do organismo contra choques mecânicos). Ademais, as etapas de cicatrização são a inflamação, procedida pela neurovascularização (que promove os mecanismos de dor e aumento do fluxo sanguíneo para o local), a formações de granulações no tecido, a formação de uma nova camada epitelial e de uma nova matriz extracelular (que dá o suporte para a epiderme), e, por fim, a remodelação do tecido que foi lesionado. Considerando essa fisiologia da cicatrização, os óleos vegetais são capazes de acelerar algumas etapas desse processo, sobretudo por conta de sua composição que reúne ácidos graxos e fosfolipídios, que são formadores de membranas celulares.

Preparamos uma lista com os principais óleos vegetais e suas ações sobre a pele e cicatrização:

  • Óleo de coco: conhecido pelo seu poder oxidativo, o óleo de coco aumenta a velocidade de cicatrização, por meio das etapas de neurovascularização e proliferação de fibroblastos (essas células são as principais utilizadas pelo organismo para a remodelação dos tecidos epiteliais). Além disso, o óleo de coco pode ajudar na síntese de colágeno (aquele conhecido por deixar a nossa pele “firme”, “esticadinha e sem rugas!)
  • Óleo de manga: não muito utilizado pelos brasileiros, esse possui uma ação bactericida e anti-inflamatória, sendo, pois, indicado em curativos para antissepsia. Além disso, ajuda a manter a pele hidratada e previne rugas.
  • Óleo de oliva: ingrediente de inúmeros cosméticos para a pele e para os cabelos, o “azeite” já tem propriedade anti-inflamatórias comprovadas. Como se não bastasse, ele aumenta a deposição de colágeno na pele, facilita a diferenciação de fibroblastos (isto é, aumentando o número de células capazes de remodelar o tecido lesionado) e, ainda, pode ser usado para reparo de queimaduras para prevenir infecções. Alguns estudos apontam o incentivo à formação da barreira lipídica.
  • Óleo de abacate: extraído do caroço do abacate, o óleo de abacate pode ajudar em doenças como psoríase, diminui a incidência de rugas e as marcas de expressão. Ademais, existem estudos que o óleo de abacate pode ajudar a diminuir a esclerodermia (que é uma doença em que ocorre a inflamação do tecido conjuntivo).
  • Óleo de canola: estudos apontam um possível aumento da proliferação de fibroblastos na área em que ocorre a lesão na pele após a aplicação do óleo de canola.
  • Óleo de aroeira: conhecida e usada desde a Grécia antiga para problemas de pele, a aroeira parece ser ótima para utilizar em queimaduras. Um estudo da Nova Zelândia aponta que ela pode ser tão eficiente quanto as melhores pomadas em casos de queimadura de terceiro grau.
  • Óleo de linhaça: estudos apontam a sua eficácia na proliferação de fibroblastos ao redor da área danificada e o aumento significativo da neurovascularização local.
  • Óleo de uva: esse composto pode ser capaz de promover a formação de uma densa matriz de colágeno – essa é responsável pela sustentação do novo tecido epitelial. Além disso, aparenta ter uma ação antibacteriana e estimulante da diferenciação celular (isto é, formação de novas células para agilizar o processo de cicatrização).
  • Óleo de girassol: benéfico para o tratamento de dermatite tópica, além de uma função hidratante e que promove a integridade epitelial em casos de lesões, de maneira a evitar a formação de edemas.

Sabemos que muitos outros óleos são usados no Brasil pela população no dia a dia, entretanto cabe destacar que o sucesso do tratamento depende, dentre outros fatores, da escolha, bem como, da adequada utilização dos produtos selecionados, bem como da procedência destes. O conhecimento e a recomendação por parte de um profissional da saúde, sempre é necessária para que os resultados sejam positivos.

Fonte: Nina Polsak e colaboradores. Vegetable butters and oils in skin wound healing: Scientific evidence for new opportunities in dermatology. Artigo publicado na Revista Phytorerapy Research, outubro de 2019.
Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/ptr.6524

Enviado por: Gean Scherer da Silva, acadêmico do curso de Medicina da UFSM e aluno de iniciação científica do Laboratório de Biogenômica.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7600572242471748

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