Saiba como prevenir as lesões de pele causadas pelo uso contínuo das máscaras de proteção

Não precisou de muito tempo para que o vírus da SARS-CoV-2, causador no novo coronavírus, se alastrasse pelo mundo inteiro, levando os órgãos de saúde de muitos países a pensarem medidas de conter esta acelerada transmissão. A partir do momento em que foi constatado que as principais vias de entrada e saída do vírus são a boca e o nariz, o uso de máscaras de proteção se tornou item obrigatório no dia a dia da população em muitos locais. Entretanto, a utilização de diferentes tipos de tecido para a confecção das mesmas, o tempo de uso, o material pelo qual as alças da máscara foram feitas e a reutilização das mesmas após a lavagem com produtos desinfetantes vêm sendo associados à um aumento dos casos de lesões de pele na face.

Ocorre que o atrito destes materiais sobre a pele pode ocasionar alterações na pele, facilitando a instauração de lesões, que, por sua vez, podem ser uma porta de entrada para infecções secundárias. Além disso, o uso das máscaras por um longo período de tempo faz com que a pele não respire, por vezes, sue, comprometendo a capacidade da pele de resistência à compressão causada por este meio de proteção. Pode-se constatar também que, devido ao uso das máscaras faciais, pessoas com doenças de pele pré-existentes podem acabar por ter uma piora no quadro da lesão. Sem contar que os desinfetantes empregados para fazer a higienização das máscaras reutilizáveis podem acarretar no surgimento de reações alérgicas na face.

É importante mencionar também, que a reutilização ou a utilização da mesma máscara por um longo período de tempo torna o ambiente propício para o aumento da proliferação das bactérias causadoras da acne (espinha), favorecendo o surgimento da mesma. Além do rosto, a região da parte de trás da orelha, onde as alças das máscaras são apoiadas, também vem apresentando um crescimento nos casos de lesões de pele. Um estudo preliminar cita o surgimento de lesões, coceira, vermelhidão e/ou descamação na região posterior à orelha, os quais provém da fricção exercida na pele pelas alças das máscaras faciais.

Entretanto, os maiores acometidos por danos cutâneos decorrentes do uso de equipamentos de proteção individual são, sem dúvidas, os profissionais da saúde. Ao cuidar de pacientes com Covid-19, os profissionais necessitam fazer o uso de equipamentos de proteção que vão além do uso de máscaras. Estes incluem a utilização de máscaras N95, as quais foram associadas a um maior surgimento de lesões de pele, óculos de proteção, protetor facial, roupa de proteção descartável e luvas. Além disso, a pele do rosto apresenta alto risco de exposição a partículas virais e, por este motivo, deve ser lavada com mais frequência, o que acaba por prejudicar a sua integridade.

Se apenas a utilização de máscaras já é capaz de ser responsável por uma gama de reações na pele, imagine o uso diário, e por longos períodos, de todos esses equipamentos de proteção individual utilizados pelos profissionais da saúde neste momento. Estudos demonstram que a prevalência de doença de pele ocupacional entre os profissionais de saúde em estudos anteriores (era pré-Covid) foi estimada em 20-50%. No entanto, em dois estudos recentes realizados na China, um número consideravelmente maior de profissionais de saúde, de 71% a 97%, envolvidos no tratamento de pacientes com Covid‐19 relataram ter tido alguma afecção associada ao comprometimento da estrutura da pele.

Esses problemas de pele, sem dúvidas, aumentam a carga já pesada desses profissionais de saúde e podem reduzir o entusiasmo pelo trabalho sobrecarregado. Desta forma, é fundamental desenvolver meios de proteger a pele e evitar o acometimento por lesões, para que estes profissionais possam se dedicar ao trabalho de todo o coração. Algumas formas de evitar o surgimento de lesões de pele consistem em utilizar cremes hidratantes, que além de calmantes, possuam a capacidade de reparar a pele. Além disso, é fundamental esperar pela total absorção destes produtos antes de colocar a máscara, além de trocá-la de tempo em tempo. Pessoas com doenças de pele pré-existentes, precisam tomar precauções especiais e optarem sempre pela utilização de máscaras cirúrgicas descartáveis. Já a população em geral, que faz uso de máscaras faciais caseiras, deve usar máscaras à base de pano de algodão com alças fabricadas com material mais confortável ou com tiras de amarrar em volta da cabeça. É muito importante também, evitar o emprego de agentes desinfetantes para fazer a higiene das máscaras, optando pela utilização de produtos com menor potencial alergênico, como sabão de glicerina, coco ou aqueles utilizados para a limpeza das roupas de bebê. Não se esqueça que o sabão e os sabonetes são tão eficientes na inativação do vírus, quanto a água sanitária e o álcool, e, em geral, possuem menos capacidade de irritar a pele.

Fontes: Bhatia e colaboradores. Publicado em Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology em 2020.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7300601/pdf/JDV-9999-na.pdf

Bothra e colaboradores. Publicado em Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology em 2020.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7300984/pdf/JDV-9999-na.pdf

Li e colaboradores. Publicado em Journal of Southern Medical University em 2020.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7086135/

Enviado por: Nathália Cardoso de Afonso Bonotto – Esteticista Pesquisadora – Laboratório Biogenômica – UFSM
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4055216682279933

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