Ter hobbies pode reduzir em 30% o risco de depressão

A depressão é um transtorno mental muito frequente, estima-se que em todo o mundo, tenhamos mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, que sofrem com esse transtorno. A depressão é atualmente a principal causa de incapacidade em todo o mundo e contribui de forma importante para a carga global de doenças. Ainda, sabe-se que a as Mulheres são mais afetadas que homens, e que a idade mais prevalente está ao redor dos 30 anos (OMS, 2020).

Entre as consequências, a depressão causa desde afastamentos no trabalho, internações hospitalares, e suicídio, que ocorre em cerca de 800 mil pessoas a cada ano, e é considerada a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

Para entendermos a depressão, é necessário deixar a parte os princípios de mudanças de humor que observamos ao longo do dia, ou em fases da vida, tendo a definição como “um transtorno mental caracterizado por tristeza persistente e pela perda de interesse em atividades que normalmente são prazerosas, acompanhadas da incapacidade de realizar atividades diárias, durante pelo menos duas semanas.” (OMS, 2020).

Entre os tratamentos para depressão estão o uso de medicamentos antidepressivos, psicoterapia e indicação de atividade física, entretanto o tratamento chega a apenas 50% das pessoas afetadas.

Vários países adotam medidas complementares como o encaminhamento ao apoio social, principalmente em pacientes com depressão leve a moderada, para os quais as abordagens médicas tradicionais não são tão eficazes quanto na depressão mais grave.

Uma das atividades populares em estudos-piloto tem incentivado os pacientes a se envolverem em atividades que apóiem ​​a adoção de novos hobbies, como grupos ou sociedades que envolvem música, desenho, artesanato, como costura, carpintaria, coleta ou modelagem. Essas atividades estão relacionadas a outras atividades de lazer, como o voluntariado, na medida em que proporcionam distração, novidade, estímulo cognitivo, pertença, além de melhorar as habilidades e a agência de enfrentamento e fornecem apoio social, todas elas positivamente associado à saúde mental.

Um estudo envolvendo 8.780 adultos com mais de 50 anos constitui de uma coorte (estudo que acompanha durante um determinado tempo os individuos), que foi utilizado o envolvimento auto-relatado com hobbies e a identificação de sintomas depressivos . Dos 8.780 participantes, 55,0% eram do sexo feminino e os participantes tinham uma idade média de 66,9 anos.

Após o tempo de acompanhamento destes individus, observou-se que ao assumir  hobby estava associado a uma diminuição dos sintomas depressivos e uma chance 30% menor de experimentar depressão, entre os Hobiies os que mais estiveram presentes foram hábitos de leitura variados no tempo, engajamento social e atividade física.

Outro ponto , foi  que para esses participantes, assumir um hobby foi associado a uma melhora nos sintomas depressivos e uma chance 272% maior de recuperação da depressão.

Conforme Facourt et al.(2020), responsavel pela pesquisa “Este estudo possui vários pontos fortes, incluindo sua grande amostra representativa, acompanhamento longitudinal repetido e abordagem estatística robusta. No entanto, as análises foram limitadas pelos dados incluídos em um sistema secundário, de modo que os efeitos do uso de antidepressivos não puderam ser analisados.” Estudos que acompanham os pacientes em um determinado periodo de tempo, fortalecem a importância de intervenções e na obtenção dos resultados, assim assumindo papel determinando na sugestão a novas abordagens, como neste estudo.

Fonte: Facourt et al.  Artigo publicado no Psychotherapy and Psychosomatics.
Disponível em: https://www.karger.com/Article/FullText/503571

Enviado por: MSc. Thamara Graziela Flores. Fisioterapeuta, Doutoranda em Farmacologia Universidade Federal de Santa Maria
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1885218080678884

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