O distanciamento social segue sendo a forma mais eficaz de prevenir a Covid-19

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou a existência de uma pandemia global devido a disseminação do vírus Sars-CoV-2. Desde então a Covid-19 já se tornou uma das principais causas de morte e de sobrecarga de sistemas de saúde no mundo. Sabe-se que, apesar dos pacientes serem tratados com antivirais, corticosteroides e receberem suporte respiratório mecânico quando necessário, ainda falta uma terapia específica para tratamento do vírus. Além disso, ainda não existe uma vacina efetiva comercializada para a profilaxia da doença. Dessa forma, o número de infectados não para de aumentar, visto que é uma doença extremamente contagiosa que ainda não possui tratamento e vacina específicos. Para contornar essa situação, alguns países têm usado a estratégia de testagem em massa e rastreamento de contatos, colocando em quarentena apenas aqueles que testam positivo. Contudo, devido à falta de infraestrutura e de recursos não é possível realizar o rastreamento de contatos no mundo inteiro. Nas nações onde essa estratégia não é possível, foi adotado o “distanciamento social”, que consiste no fechamento de atividades não essenciais, suspensão das aulas em escolas e universidades, espaçamento em locais públicos e redução do contato social quando não for necessário. Essa política tem se mostrado eficaz na prática em diversos países, no entanto, nenhum estudo ainda havia quantificado essa eficácia. Dessa maneira, um estudo publicado na revista Plos One, em 30 de julho, analisou dados da propagação do vírus Sars-CoV-2 em 134 países que aderiram a diferentes políticas de distanciamento social e relatou que o número de novos casos em um período de duas semanas teria uma redução estimada de 65% devido ao isolamento social nesses países. Portanto, o que essa análise constatou foi que as nações que adotaram políticas de distanciamento tiveram uma redução significativa na propagação do vírus quando comparadas aos países que não adotaram essas políticas. A maior crítica relativa ao distanciamento tem sido o impacto negativo na economia dos países devido ao fechamento de atividades comerciais não essenciais. Entretanto, o estudo mostrou que essa política, que ajuda a diminuir a propagação do vírus e consequentemente a mortalidade, poderia poupar cerca US$ 8 trilhões de dólares a nível nacional ou US$ 60.000 por família nos Estados Unidos em estimativas a longo prazo. Outro descontentamento acerca do isolamento tem sido o tempo de duração. Em muitos países, a população está isolada desde o mês de março e as medidas têm sido cada vez menos seguidas a rigor, pois cerca de cinco meses depois do início do distanciamento as pessoas querem voltar para suas atividades normais. Contudo, esse estudo prova que enquanto ainda não há vacina, tratamento específico para a doença e testes em massa, o isolamento ainda é a melhor opção para evitar o colapso dos sistemas de saúde na maioria dos países e deve ser seguido da melhor forma possível. Todavia, muitas cidades e países tem começado a afrouxar o distanciamento e permitir a reabertura de restaurantes, academias e parques, sempre levando em consideração as medidas de segurança, como distanciamento entre mesas e pessoas, uso de máscaras em todos os locais públicos, oferta de álcool gel em todos os estabelecimentos e ocupação mínima, visando assim, uma retomada parcial das atividades cotidianas sem retirar totalmente a efetividade do isolamento social.

Fonte: Daniel J. McGrail e colaboladores. Artigo publicado na Revista Plos One em 30 de julho de 2020.
Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0236619

Enviado por: Carolina Rodrigues de Freitas, acadêmica do curso de Medicina e aluna de iniciação científica do Laboratório de Biogenômica – UFSM
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3517267337571320

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