Quanto maior o tempo de exposição a telas maior o risco da obesidade infantil

A obesidade infantil é um sério problema de saúde pública global e que tem crescido a níveis alarmantes, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no ano de 2019, o número de crianças abaixo de 5 anos com sobrepeso ou obesidade já ultrapassava 38 milhões no mundo. Em busca de possíveis soluções para o enfrentamento dessa doença, tem-se estudado os fatores que contribuem para seu desenvolvimento, dentre eles está o tempo médio que crianças passam diariamente em frente a telas, como televisão, smartphones, tablets e computadores.

É preciso lembrar que o aumento no número de casos de obesidade entre a população pediátrica é preocupante devido ao fato de que crianças obesas têm maior probabilidade de apresentar problemas de saúde significativos em curto prazo, incluindo asma, apneia do sono, hipertensão, distúrbios musculoesqueléticos, doença hepática gordurosa e resistência à insulina. Posteriormente na vida adulta, há risco aumentado de obesidade adulta, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, certos tipos de câncer ( endometrial, de mama e cólon), doenças respiratórias obstrutivas, distúrbios reprodutivos e problemas de saúde mental. Portanto, a obesidade nesta faixa etária representa grandes riscos à saúde atual e futura.

O acúmulo excessivo de gordura corporal durante a infância tem causas multifatoriais, que incluem desde uma alimentação desbalanceada até aspectos genéticos e ambientais. Nesse sentido, deve-se levar em conta que o mundo moderno apresenta outro fator de risco importante: dispositivos eletrônicos, como celulares, tablets, televisores e computadores. Esses elementos podem se tornar prejudiciais ao estado nutricional infantil em decorrência de uma série de mecanismos:

(1) aumento da ingestão de calorias

Estudos epidemiológicos relatam que crianças que permanecem mais tempo expostas a telas consomem menos frutas e vegetais, mais lanches com alto teor de energia e fast food e assim recebem uma porcentagem maior de sua energia de gorduras, além de possuírem uma ingestão energética total maior. Parte desse efeito advém do fato de que estes dispositivos podem atuar como um gatilho ou estímulo para comer, podem estender a duração normal de uma refeição ou mesmo reduzir a sensação de plenitude e saciedade após alimentação.

(2) efeito das propagandas

Pesquisas experimentais mostram que a publicidade de alimentos afeta a preferência alimentar, ingestão de alimentos, solicitações de compra e hábitos de consumo das crianças.

(3) perturbação do sono

A privação de sono causa mudanças nos hormônios grelina e leptina que atuam como reguladores do apetite e assim provoca aumento da fome e redução da saciedade, além disso, o sono de curta duração pode afetar as escolhas das crianças levando-as a preferir consumir mais calorias e menos alimentos nutricionalmente densos, assim como levar a um aumento de lanches e refeições fora do horário normal de alimentação.

Dentro desta perspectiva, visando auxiliar pais e educadores na promoção e manutenção da saúde de crianças e adolescentes na Era Digital, a Sociedade Brasileira de Pediatria ressalta que é de grande importância que ocorra supervisão, regulação e engajamento parental durante as atividades exercidas por crianças em frente a telas, a fim de estabelecer estratégias mais eficazes de redução do tempo de exposição. Com esse propósito, a entidade recomenda os seguintes tempos máximos de uso de tela:

Crianças menores de 2 anos → evitar a exposição às telas;

Crianças entre 2 e 5 anos → limitar o tempo de telas ao máximo de 1 hora/dia, sempre com supervisão de pais/cuidadores/ responsáveis;

Crianças entre 6 e 10 anos → limitar o tempo de telas ao máximo de 1-2 horas/dia, sempre com supervisão de pais/responsáveis;

Adolescentes com idades entre 11 e 18 anos → limitar o tempo de telas e jogos de videogames a 2-3 horas/dia;

Por fim, reitera-se que a mudança comportamental de toda a família é a principal ferramenta para redução do tempo de tela, mas que, no entanto, o tempo de exposição a dispositivos de mídias é apenas um dos vários fatores que podem contribuir para o ganho excessivo de peso durante essa etapa da vida. Assim, várias outras medidas devem ser adotadas concomitantemente, como prática regular de atividade física, limitar a ingestão de gorduras e açúcares, aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes, grãos e nozes e manutenção da qualidade de sono em crianças. Essas condutas visam melhorar o bem estar físico e a saúde mental da população infantil, colaborando assim na prevenção não somente da obesidade infantil, como também de várias outras doenças associadas.

Fontes:

Organização Mundial da Saúde: Facts and figures on childhood obesity. Disponível em: https://www.who.int/end-childhood-obesity/facts/en/

Robinson et al. Publicado na revista Pediatrics em novembro de 2017. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5769928/pdf/nihms931685.pdf

Manual de Orientação: #MENOS TELAS #MAIS SAÚDE, Sociedade Brasileira de Pediatria. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/_22246c-ManOrient_-__MenosTelas__MaisSaude.pdf

Enviado por: Joana Rosa Rodrigues – acadêmica de Medicina e aluna de iniciação científica Laboratório Biogenômica – UFSM.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1465826570691475

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