COVID-19 pode levar a necessidade de transplante de pulmão

Não é de hoje que ouvimos falar em Síndrome Respiratória Aguda (SDRA) e seus vários agentes causadores, ou seja, dos diferentes vírus capazes de desenvolvê-la. Nesta síndrome há um acumulo de fluídos no pulmão, privando o órgão de receber oxigênio e realizar a troca gasosa adequada. As taxas de sobrevivência e a recuperação pulmonar já estão bem estabelecidas para a Influenza, por exemplo, entretanto a SDRA relacionada à infecção por coronavírus (SARS- CoV-2) ainda representa um desafio e muitas particularidades não estão descritas, o que podemos considerar de certa forma como um processo ainda que demorado, dentro de sua normalidade, já que estamos falando de uma doença e um momento nunca antes vivido. Alguns pacientes após terem contraído o coronavírus e desenvolvido a SDRA apresentam insuficiência pulmonar persistente, mesmo com várias semanas e até meses de suporte na unidade de terapia intensiva (UTI) e com isso, o transplante de pulmão passou a ser a terapia indicada, possibilitando uma melhor reposta e salvando vidas. Até o momento, poucos foram os casos relatados pela mídia ou por cientistas. Nesses relatos de casos iniciais os resultados ainda que preliminares são aceitáveis, sendo uma terapia de alta intensidade e talvez tida como o último recurso, porém, não menos importante. Christian Lang e colegas publicaram recentemente um caso de um paciente de 44 anos, em estado grave, pós SDRA e COVID- 19, sendo tratado com o transplante pulmonar, o qual segundo os autores salvou sua vida. Embora o transplante de pulmão encontre-se em potencial, o verdadeiro efeito no cenário agudo da COVID-19 é provavelmente pequeno. Em tese, a maioria dos pacientes que evoluem para insuficiência pulmonar grave tem comorbidades que os impedem de serem candidatos a transplantes. Além disso, muitos desenvolvem complicações secundárias, como disfunção renal, perda de massa muscular ou outra falência de órgãos durante a terapia de oxigenação, na UTI. A idade avançada é outro fator que contra indica o procedimento. Assim, a prevenção da infecção por COVID-19 continua sendo a melhor estratégia. É do interesse do paciente ser capaz de sobreviver sem um transplante, dadas às taxas de sobrevivência de longo prazo subótimas de transplante de pulmão (cerca de 60% em 5 anos).  A balança da doença parece ser complicada de estabilizar, ao ponto que a maioria das pessoas em estado grave e que necessitam do transplante são também aquelas que possuem  o maior número de limitações para se enquadrarem no procedimento; além de que, muitos são os benefícios do transplante, mas  não podemos ignorar o fato do pós – transplante e os riscos durante o procedimento, além de não ser simples encontrar um doador. O que sabemos até aqui é que de fato a doença é grave e apresenta vários modos de agressão, deixando-a complicada de tratar e instigando o mistério de como tratar, já que ainda não temos uma terapia direcionada. Com isso, fica explícita novamente a necessidade de prevenção e, aquela velha frase que parece “clichê”, ainda tem alta veracidade no ano de 2020: “É melhor prevenir, do que remediar”, e nesse caso, nem o tratamento adequado temos, então, cuide-se!

Fonte: Cyepel e colaboradores. Artigo publicado na Lancet Respiratory Medicine em 25 de agosto de 2020.
Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lanres/article/PIIS2213-2600(20)30393-3/fulltext

Lang e colaboradores. Artigo publicado na Lancet Respiratory Medicine em 25 de agosto de 2020. 
Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lanres/article/PIIS2213-2600(20)30361-1/fulltext

Enviado por: Msc. Bárbara Osmarin Turra – UFSM
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3529685763828545

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