Jejum intermitente é eficaz no tratamento para sobrepeso e obesidade

A obesidade é considerada uma doença crônica não transmissível e consiste no acúmulo demasiado de gordura corporal, a qual acarreta uma série de déficits no indivíduo, como dificuldade respiratória, distúrbios no aparelho locomotor, dislipidemias, doenças cardiovasculares e diabetes não insulinodependentes (Diabetes tipo II).  Sua prevalência no Brasil nunca foi tão alta, a qual soma 18,9% da população. Ainda, as projeções para essa doença não são positivas, visto que se espera que mais de 25% dos brasileiros terão excesso de peso no ano de 2025. O principal foco no tratamento de sobrepeso e obesidade está na perda de massa gorda e consequente redução de peso corporal. O jejum intermitente (JI) é uma dieta em que se alterna períodos de ingestão alimentar e jejum, com o objetivo de fazer com que o corpo utilize os estoques de gordura, proporcionando a perda de massa gorda.

A partir disso, a revista Research, Society And Development realizou uma revisão integrativa de estudos que avaliaram a aplicabilidade do protocolo de jejum intermitente no tratamento de sobrepeso e obesidade em adultos, com ênfase na perda de peso e na melhora dos marcadores biológicos. Nessa pesquisa, foram examinados materiais da área da saúde publicados entre 2010 e 2019, dos quais foram selecionados 10 artigos de ensaio clínico randomizado com amostras de 15 até 162 pacientes. Um dos estudos em questão contou com a participação de 32 indivíduos durante 12 semanas, em que um grupo controle se alimentou normalmente nesse período e o grupo de estudo recebeu a dieta chamada dia alternado de jejum, a qual em cada dia de jejum ingeriam cerca de 500 kcal e nos outros dias se alimentavam normalmente. Após essas semanas, o grupo de estudo teve seu peso corporal reduzido em quase 1kg e ainda, tiveram a massa gorda foi reduzida em 0,7kg, quando comparados com os indivíduos do controle. Já em outra publicação, por 12 semanas 64 participantes foram divididos em quatro grupos, sendo um deles apenas de intervenção dietética (recebiam 25% de sua necessidade energética nos dias de jejum), um combinado de intervenção dietética com atividade física, um somente de exercícios físicos e um de controle. Após esse período, constatou-se que os três primeiros grupos obtiveram redução do peso corporal, todavia, o grupo que mais perdeu peso foi o combinado de dieta e atividade física. Outro trabalho, realizado com 115 mulheres comparou a restrição energética intermitente com a restrição energética diária (dieta comum), no qual o grupo de jejum intermitente realizou restrição energética e de carboidratos por dois dias consecutivos e nos outros dias uma dieta semelhante ao outro grupo. Esse estudo mostrou que a curto prazo, a dieta de restrição energética intermitente é superior a restrição energética diária em relação a sensibilidade a insulina e a perda de gordura corporal, em que, no grupo de jejum intermitente 65% dos indivíduos perderam 5% ou mais de peso corporal e redução na resistência a insulina enquanto 40% do grupo controle teve esse resultado. Em 2018, uma pesquisa com 151 homens estudou intervenções contínuas (CON) e intermitentes (INT) e a perda de peso foi significativamente maior no grupo de intervenção intermitente, corroborando com os outros resultados.

De forma geral, nos artigos analisados, ficou evidente que a restrição energética intermitente é eficaz na promoção da perda de peso em adultos com sobrepeso ou obesidade no curto prazo. Compete ressaltar que o tratamento de sobrepeso e obesidade se dá a longo prazo, o que não inviabiliza o protocolo intermitente. Dessa forma, a utilização do jejum intermitente é mais uma ferramenta a ser utilizada pelo profissional nutricionista para melhorias na saúde e qualidade de vida do paciente, cabendo ao profissional decidir e adequar a melhor dieta para cada indivíduo.

Fonte: Virgílio Antônio Rodrigues Ferro Junior e colaboradores. Artigo publicado pela revista Research, Society And Development em julho de 2020.
Disponível em: https://www.rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/6129/5895

Enviado por: Jaqueline Grejianim – – Acadêmica de Medicina e Aluna de Iniciação Científica Laboratório Biogenômica- UFSM  
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8684395655408465

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