Coronavirus: Vacina da Moderna prevê alta imunização e diminuição da gravidade em caso de infecção

Diante da pandemia da COVID-19, diversos pesquisadores e empresas ao redor do mundo estão trabalhando intensamente em vacinas que possam ser efetivas para a prevenção da COVID-19. Existem pelo menos 165 vacinas sendo desenvolvidas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dentre elas, algumas das mais comentadas são: a vacina de Oxford, a vacina da Pfizer/BioNtech, a vacina Sputnik V da Rússia, a vacina CoronaVac da empresa chinesa Sinovac e a vacina da empresa americana Moderna.

Esta última está sendo desenvolvida por pesquisadores do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos em parceria com a empresa de biotecnologia Moderna de Cambridge – Massachusetts, divulgou esta semana para a imprensa resultados preliminares da fase III da Vacina. Esta fase iniciou dia 27 de julho, e ainda está em andamento e já envolve 30 mil participantes de vários locais dos Estados Unidos. Os resultados da fase III anunciados mostram que a vacina possui mais de 94% de eficácia e aparenta prevenir infeções graves causadas pelo SARS-CoV-2, com base na análise de eficácia de 95 casos. A análise foi conduzida por um comitê independente de segurança de dados e descobriu que 95 participantes do estudo desenvolveram COVID-19. Destes, 90 estavam no grupo que recebeu a injeção de placebo, e 5 no que recebeu a vacina, o que equivale a uma eficácia de 94,5%. Este estudo de eficácia foi com o maior número de participantes comparado às outras vacinas, como a da Pfizer que analisou 94 casos, e a da Rússia que se baseou em 20 casos.

Além disso, a divulgação de que a vacina provavelmente previne infecções severas pelo coronavirus ganhou um diferencial dos resultados de outras vacinas que estavam sendo divulgados nos últimos dias, nos quais este quesito não ficou claro. A análise provisória da Moderna encontrou um total de 11 casos graves de COVID-19 no grupo do placebo e nenhum no grupo da vacina, de acordo com o comunicado à imprensa. A empresa também afirmou que a vacina sugere um perfil de segurança e eficácia em todos os subgrupos avaliados, sendo que, dentre os 95 participantes avaliados, 15 possuíam mais de 65 anos. Outra vantagem desta vacina é que ela permanece estável em refrigeradores convencionais por um mês e em freezers comuns por seis meses, facilitando sua distribuição em partes do mundo que não têm infraestrutura avançada para manter outras vacinas resfriadas, como a da Pfizer que necessita de ultra freezers a-70ºC.

Enquanto uma vacina tradicional usa vírus inativados ou atenuados (alterados para não serem infecciosos), a vacina da Moderna possui uma técnica inovadora com o mRNA-1273. Nesta técnica, um pequeno fragmento do código genético do SARS-CoV-2, mais especificamente um RNA mensageiro, é injetado no paciente. O fragmento então é assimilado pelas células humanas, as quais passam a produzir proteínas presentes no vírus que, por sua vez, poderão ser reconhecidas pelo nosso sistema imunológico, permitindo-o “aprender” a combater o vírus. A vacina é aplicada em duas doses com 28 dias de intervalo e os resultados preliminares da Fase I, publicados no The New England Journal Of Medicine, já foram promissores. Na primeira Fase de testes, a vacina já induziu resposta imune em todos os 45 participantes, sendo que nenhum evento adverso sério foi observado, apenas efeitos colaterais leves, como fadiga, calafrios, dor de cabeça, muscular e no local da injeção.

Vale ressaltar que, assim que o ensaio da Fase III for concluído, o cálculo final da eficácia da vacina pode ser menor devido à margem estatística. Os dados provisórios sugerem que a eficácia final pode ser em torno de 86%, o que já é maior do que os cientistas esperavam. Os resultados estão sendo muito positivos e nos trazendo esperança para o combate da Covid-19, contudo ainda há dúvidas a serem respondidas: não está claro quanto tempo os efeitos protetores da vacina duram, se ela pode impedir que as pessoas transmitam o vírus e se funciona bem em grupos de alto risco, como adultos mais velhos. O que nos resta é aguardar os resultados definitivos, na torcida de que alguma vacina segura e eficaz possa ser distribuída ao mundo em pouco tempo.

Fontes:

Ewen Callaway. Publicado dia 16 de novembro de 2020, na revista Nature. doi: https://doi.org/10.1038/d41586-020-03248-7

Disponível em: https://www.nature.com/articles/d41586-020-03248-7

Lisa A. Jackson e colaboradores. Publicado em 14 de julho de 2020, no The new england journal of medicine.

Disponível em: https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMoa2022483?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub%20%200pubmed

Enviado por: Luiza Elizabete Braun – Acadêmica do curso de Medicina da UFSM e aluna de Iniciação Científica do Laboratório de Biogenômica.  Currículo Lattes:http://lattes.cnpq.br/8218583647133629

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