Estudo aponta que a vacina de Oxford é segura e eficaz inclusive em idosos

COVID-19 grave é mais comum em adultos com 70 anos ou mais e em indivíduos com comorbidades como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias crônicas. 

Um passo muito importante no controle da Pandemia de COVID-19 que assola o mundo será a vacina. Tão esperada, e tão buscada. Atualmente são 48 vacinas candidatas em potencial sendo que destas 11 candidatas estão em testes de fase 3, ou seja, muito próximas a serem disponibilizadas a população.

Destas vacinas, quatro estão sendo testadas no Brasil. Sendo a Fiocruz, responsável pelos testes em nosso país da vacina que está sendo desenvolvida em parceria da Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca. A vacina que popularmente está sendo chamada vacina de Oxford, tem como denominação vacina ChAdOx1 nCoV-19. Os resultados de um ensaio clínico de fase 2, publicado na Revista The Lancet ontem (18/11/2020), no estudo 560 participantes foram subdivididos da seguinte forma: 

160 com idades entre 18-55 anos (100 atribuídos a ChAdOx1 nCoV-19, 60 atribuídos a vacina controle (MenACWY), 160 com idade de 56-69 anos (120 atribuídos a ChAdOx1 nCoV-19: 40 atribuídos a vacina controle) e 240 com 70 anos ou mais (200 atribuídos a ChAdOx1 nCoV-19: 40 atribuídos a vacina controle).

É importante comentar que neste estudo um dos objetivos é alcançar a imunogenicidade em adultos mais  velhos, uma vez que as vacinas costumam ter menor capacidade de imunogenicidade neste grupo, uma vez que com o processo normal de envelhecimento nos adultos mais velhos há maior imunossenescência, ou seja deterioração natural do sistema imunológico produzido pelo envelhecimento.

Quanto aos resultados do estudo, reações locais e sistêmicas leves foram mais comuns em participantes que receberam ChAdOx1 nCoV-19 do que naqueles que receberam a vacina controle, tais reações incluem dor no local da injeção, sensação de febre, dores musculares, dor de cabeça, mas foram menos comuns em adultos mais velhos (com idade superior a 56 anos) do que em adultos mais jovens. Até 26 de outubro de 2020, 13 eventos adversos graves ocorreram durante o período do estudo, nenhum dos quais foi considerado como relacionado a qualquer vacina do estudo. Em participantes que receberam duas doses de vacina, as respostas medianas de anti-pico de SARS-CoV-2 IgG (marcador de imunidade) 28 dias após a dose de reforço foram semelhantes em todas as idades, 14 dias após a dose de reforço, 208 (> 99%) dos 209 participantes com reforço apresentaram respostas de anticorpos neutralizantes. As respostas das células T(Aquelas células com funções imunológicas de efetuação de respostas antivirais) atingiram o pico no dia 14 após uma única dose padrão de ChAdOx1 nCoV-19.

Assim a vacina ChAdOx1 nCoV-19 parece ser mais bem tolerada em adultos mais velhos do que em adultos mais jovens e tem imunogenicidade semelhante em todos os grupos etários após uma dose de reforço. Os próprios pesquisadores apontaram a falta de mais voluntários com mais de 80 anos e a de pessoas com doenças crônicas como limitações do estudo. Assim, é necessário expandir os próximos estudos para pessoas com este perfil. Entretanto, os resultados são animadores e cada vez mais a vacina está próxima.  

Fonte: Maheshi N Ramasamy e colaboradores 2020. Safety and immunogenicity of ChAdOx1 nCoV-19 vaccine administered in a prime-boost regimen in young and old adults (COV002): a single-blind, randomised, controlled, phase 2/3 trial. 
Disponivel em: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)32466-1/fulltext#.

Enviado por: Profª Dra. Fernanda Barbisan- PPG Gerontologia, Universidade Federal de Santa Maria.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1428674947616182

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