Estudos apontam benefícios do uso de suplementos alimentares como tratamento auxiliar da esclerose múltipla

O sistema nervoso central é coordenado por uma variedade de células, com diferentes funções. Entre essas células, as principais são os neurônios, responsáveis pela condução dos impulsos nervosos. A estrutura dos neurônios é constituída por um corpo celular, por dendritos e pelo axônio (que é envolto e protegido por uma membrana, chamada bainha de mielina).

A esclerose múltipla é uma doença crônica do sistema nervoso central, caracterizada pela inflamação, pela desmielinização (perda da bainha de mielina) e pela subsequente neurodegeneração (perda dos axônios e degeneração dos neurônios), levando à ruptura da sinalização neuronal. A doença é diagnosticada principalmente em adultos jovens (entre 20 e 50 anos) e tem um forte impacto negativo na qualidade de vida destas pessoas, por interferir nas suas funções físicas, psicológicas e sociais. Os sintomas são diversos e incluem distúrbios visuais, distúrbios sensoriais, alterações do equilíbrio, deficiências motoras, comprometimento cognitivo e emocional, tontura, dor, fadiga e distúrbios do sono.

Apesar da existência de várias terapias aprovadas para o uso na esclerose múltipla, a maioria dos pacientes ainda apresenta acúmulo de incapacidade e sintomas persistentes, destacando a necessidade de terapias adjuvantes. A maior parte dos pacientes com esclerose múltipla mostra considerável interesse em usar suplementos alimentares, e mais da metade deles, de fato, faz uso destas substâncias, na busca de reduzir a gravidade e os sintomas da doença. Nesse sentido, há uma necessidade de melhorar as evidências científicas sobre o real efeito de diversos suplementos no cenário da esclerose múltipla.

Várias intervenções com suplementos alimentares vêm sendo testadas como possíveis tratamentos adjuvantes para a doença. Para proporcionar uma visão geral dos dados existentes até o momento, foi realizada uma revisão da literatura, que investigou a eficácia e a segurança de suplementos alimentares em uma variedade de resultados clínicos e biológicos em pessoas com esclerose múltipla. No total, 37 estudos foram incluídos na análise, investigando 20 diferentes suplementos dietéticos. Em 18 estudos referentes à análise dos efeitos do ácido alfalipoico, Ginkgo biloba, vitamina A, biotina, acetil-L-carnitina, chá verde, coenzima Q10, probióticos, curcumina, Andrographis paniculata, ginseng e limão verbena, foram relatadas melhorias nos resultados biológicos (por exemplo, alteração do volume cerebral de ressonância magnética, modulação dos marcadores inflamatórios, capacidade antioxidante) e clínicos (por exemplo, fadiga e depressão) em pessoas com esclerose múltipla.

No entanto, a maioria dos ensaios analisados apresentava tamanhos de amostra relativamente pequenos, a maioria era de prazo relativamente curto, o que impossibilita a evidência de mudanças potenciais de longo prazo e, ainda, havia poucos estudos replicados de cada suplemento alimentar para confirmar os resultados relatados. Além disso, alguns suplementos (por exemplo, chá verde e inosina) devem ser usados ​​com cautela devido aos eventos adversos relatados.

Os resultados desta revisão fornecem suporte preliminar para o uso de uma série de suplementos alimentares na esclerose múltipla. No entanto, as recomendações sobre o uso dos suplementos incluídos nesta revisão permanecem prematuras. Ensaios de longo prazo com potência suficiente são necessários para replicar os estudos existentes, expandir a literatura atualmente limitada e investigar suplementos alimentares inexplorados.

Fonte: Marx e colaboradores. Publicado na revista Multiple Sclerosis and Related Disorders, em janeiro de 2020.
Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31707234/

Enviado por: MSc. Cibele Ferreira Teixeira – Doutoranda em Farmacologia, Universidade Federal de Santa Maria.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9457577413344566

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