Esclarecimentos científicos sobre a vacina Chinesa CoronaVac

Desde março de 2020, a população mundial vem sofrendo os impactos do novo Coronavírus, tanto em sua saúde, quanto na economia. Por conta dele, milhares de pessoas vieram à óbito, sobretudo idosos e/ou indivíduos com comorbidades, trazendo a necessidade da descoberta de uma vacina eficaz para prevenção do SARS-CoV-2 como um desejo de todos. A partir de agosto deste ano, a corrida em torno da vacina se intensificou, com mais de 198 estudos de vacinas no mundo em fases pré-clínicas e clínicas de testagem.

É importante ressaltar ainda que a CoronaVac já demonstrou boa imunogenicidade em camundongos, ratos e primatas não humanos. Diante desse contexto os pesquisadores avaliaram características como segurança, tolerância e capacidade de imunização.

Cerca de duas semanas atrás, pesquisadores chineses do Departamento de Microbiologia, de Beijing, publicaram um estudo avaliando a CoronaVac, a vacina chinesa, bastante discutida e questionada. A CoronaVac, é uma vacina chinesa candidata para prevenir a infecção da Covid-19, produzida por meio do vírus inativado, a partir do rim do macaco verde africano. As células que foram contaminadas pelo SARS-CoV-2, no final do período de incubação, tiveram o vírus colhido e inativado junto com o hidróxido de alumínio. Já na solução placebo havia apenas o solvente.

O estudo publicado na renomada Revista Cientifica The Lancet, mostra que entre 16 de abril e 25 de abril de 2020, 144 participantes foram inscritos no ensaio de fase 1, e entre 3 e 5 de maio de 2020, 600 participantes foram inscritos no ensaio de fase 2. Foram submetidos aos testes da CoronaVac homens e mulheres entre 18 e 59 anos, que não haviam tido contato com o SARS-CoV-2 e nem moravam com alguém que teve, com temperatura corporal menor de 37ºC e que não apresentassem reação alérgica a algum componente da vacina. Em relação às doses, dividiu-se os participantes em dois grupos, com doses menores ou maiores do hidróxido de um alumínio, o solvente utilizado. Ademais, o grupo controle recebeu a vacina placebo. Foram aplicadas duas doses em cada participantes, com intervalos de 14 dias, ou de 28 dias

Em relação aos resultados, percebeu-se que as reações adversas foram semelhantes, afetando alguns indivíduos a mais que tomaram as doses maiores, enquanto o grupo placebo teve apenas 8% dos testados com reações adversas. A soroconversão para o SARS-CoV-2, ou seja, quando a pessoa deixa de ser reagente negativo e passa a ser reagente positivo, após tomar a vacina, na fase 1 de testes, apresentou índices entre 79 e 83% dos indivíduos testados; enquanto que, na fase 2, a soroconversão para a CoronaVac ficou entre 92 e 98%, sendo, portanto, um índice alto a positivo para eficácia da vacina. Ainda, na fase 2, os efeitos adversos foram semelhantes a fase 1 de testagem. Nenhum evento adverso sério relacionado à vacina foi observado dentro de 28 dias após a vacinação.

Por fim, os estudiosos relataram algumas limitações do estudo, que são relevantes para avaliar a eficácia da CoronaVac. Em primeiro lugar, faltaram testes com células do sistema imune na fase 2, além de não investigação de grupo de risco, pelo contrário, apenas adultos saudáveis. Ainda, as análises estatísticas do estudo não podem apoiar conclusões, pois são apenas uma referência. Por isso, embora a CoronaVac tenha tido boa tolerância e possa ser considerada segura, visto que, de fato, gera uma resposta de defesa ao SARS-CoV-2, necessita-se novos estudos para avaliar essa eficácia. Novas fases de estudos são necessárias, para que os resultados de eficácia e segurança sejam comprovados em uma população maior.

Fonte: Yanjun Zhang e colaboradores. Safety, tolerability, and immunogenicity of an inactivated SARS-CoV-2 vaccine in healthy adults aged 18–59 years: a randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 1/2 clinical trial. Artigo publicado na Revista The Lancet Infectious Diseases em 17 de novembro de 2020.

Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(20)30843-4/fulltext#%20

Enviado por: Gean Scherer da Silva, acadêmico do curso de Medicina da UFSM e aluno de iniciação científica do Laboratório de Biogenômica Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7600572242471748

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