Melatonina: O hormônio do sono pode atuar protegendo contra a Covid-19

Os anos de 2020 e 2021 que estão nos mostrando e seguirão demonstrando ainda mais a importância da pesquisa e da ciência. Nesta última semana, uma descoberta de pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo (USP), ganhou enfoque e destaque em todo o mundo. Eles descobriram que a melatonina, conhecida como hormônio do sono, regulado pela glândula pineal e sintetizado na ausência de luz, ou seja no escuro. A melatonina produzida também pelos pulmões, atua como barreira protetora contra o coronavírus. Ela impede a expressão de genes codificadores de proteínas de células, como os macrófagos residentes (células responsáveis pela eliminação de agentes “estranhos” ao organismo, como por exemplo, partículas de poluição), presentes no nariz e nos alvéolos pulmonares. Estes dois locais são “portas” de entrada para o vírus. Assim, o hormônio impede a entrada do vírus e a sua disseminação, impedindo também que o sistema imunológico seja ativado e, portanto, não ocorre a produção de anticorpos. Esta descoberta abre a oportunidade para explicar o porquê de algumas pessoas não se infectarem ou não apresentarem os sintomas, mesmo sendo positivas para o vírus. Ocorre que a melatonina administrada por via nasal, pode ser uma boa alternativa de tratamento a pacientes pré-sintomáticos, porém ainda, há a necessidade de novos estudos e ensaios clínicos. Os dados desta pesquisa foram publicados na revista Melatonin Research. No artigo em questão, os autores sugerem que a melatonina atua não somente contra o coronavírus, mas também frente a outros patógenos, como o vírus da influenza, por exemplo. Os pesquisadores fizeram uma análise detalhada de genes codificadores de entrada, transporte e disseminação. Para tanto, foram analisados 455 genes que possuíam associação entre as comorbidades desenvolvidas pelo coronavírus, destes foram selecionados 212 genes que possuíam envolvimento direto na entrada do coronavírus em células humanas e, sua atuação após a entrada. Neste caso, um total de 288 amostras de pulmões saudáveis foi analisado quanto à expressão destes 212 genes e, a capacidade do pulmão em sintetizar melatonina. Ou seja, quanto menor a capacidade de síntese de melatonina, maior a expressão destes genes, e mais facilmente o coronavirus pode infectar. E, obviamente que quanto maior a capacidade de produção de melatonina, menor a expressão dos genes de entrada e mais efetivo a atuação do hormônio contra o vírus, logo menor são as chances de infecção.  Estas importantes constatações levam a crer que não muito distante teremos um fármaco efetivo de tratamento, já que a vacina nos representa a forma preventiva de contaminação. Dessa vez, novamente o conceito de dormir bem pode levar a bons prognósticos.

Fonte: Fernandes, P.A. e colaboradores. Artigo publicado na revista Melatonin Reserach em Janeiro de 2021. 
Disponível em: https://www.melatonin-research.net/index.php/MR/article/view/109/737

Enviado por: Msc. Bárbara Osmarin Turra – UFSM
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3529685763828545

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