Terapia com cães contribui no tratamento de pacientes com demência

A demência configura uma síndrome neurodegenerativa, que causa deterioração das funções cognitivas, principalmente do pensamento, memória, comunicação e orientação. Além disso, esse comprometimento cognitivo ainda é acompanhado por sintomas como dificuldades para andar, dormir e distúrbios comportamentais. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, afetando cerca 50 milhões de pessoas no mundo. Até então, não há cura para a demência, apenas tratamento medicamentoso, e mesmo com esse, os sintomas levam o paciente a incapacidade e eventualmente, a morte. Ademais, a pessoa com essa síndrome não consegue cuidar de si mesmo, havendo a necessidade de um cuidador, que também é impactado significativamente pela doença, devido ao desgaste físico, emocional e financeiro, pois muitas vezes trata-se de membro familiar e faz-se necessário deixar o emprego atual para torna-se cuidador de uma pessoa com demência. Diante dessa situação, cientistas de todo o mundo buscam estratégias não farmacológicas, com abordagens não invasivas, efeitos colaterais mínimos e mais baratos, a fim de ajudar a preservar a qualidade de vida do cuidador e do paciente, além de melhorar ou manter os sintomas cognitivos e psíquicos da pessoa com demência. Uma dessas terapias não farmacológicas é a Terapia Assistida por Animais (TAA). A TAA tem como objetivo melhorar as funções físicas, cognitivas, sociais e emocionais em indivíduos saudáveis e não saudáveis, contribuindo para a melhoria e bem-estar de quem recebe a terapia.

Neste contexto foi realizada uma revisão sistemática como o objetivo de avaliar se a terapia assistida por animais, com foco nos canis, e pessoas com demência é eficaz na redução dos sintomas cognitivos e comportamentais dessa patologia. Como resultado, encontraram que a TAA é eficaz no cuidado de pacientes com demência. Enquanto estão com um cachorro, os pacientes parecem ficar mais calmos, relaxados, contentes, o que diminui o sentimento de depressão, ansiedade, agressão e agitação. Essa terapia também melhorou o comportamento social, uma vez que o cão estimula a interação do paciente com outras pessoas. Outrossim, a TAA foi benéfica para as funções cognitivas e saúde física dos pacientes, uma vez que a interação do paciente com o cão, como pegar a bola e abaixar para acariciar exige um bom controle postural e ainda, as demandas de um cachorro necessitam de orientação do seu ambiente, atenção ou simplesmente evoca nos pacientes memórias do passado. Por fim, os pesquisadores encontraram que a gravidade da demência deve ser considerada e adaptada no planejamento da TAA devido as diferentes necessidades para cada estágio da doença. Portanto, a Terapia Assistida por Animais pode funcionar como um tratamento complementar, benéfico e eficaz para pacientes com diferentes gravidades de demência se o TAA for direcionado para suas necessidades e interesses específicos. Todavia, mais pesquisas são necessárias a respeito dessa terapia e a melhoria das funções cognitivas dos pacientes com demência.

Fonte: Blanka Klimova e colaboradores. Artigo publicado na Revista BMC Psychiatry em setembro de 2019.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6731615/

Enviado por: Jaqueline Grejianim – – Acadêmica de Medicina e Aluna de Iniciação Científica Laboratório Biogenômica- UFSM.  
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8684395655408465

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