DIETA DO MEDITERRÂNEO: Melhora a microbiota intestinal contribuindo na prevenção de doenças crônicas

O conceito “dieta mediterrânea” começou com o cientista Ancel Keys, o qual pesquisou os efeitos dos hábitos alimentares sobre a ocorrência de doenças cardiovasculares (aquelas que atingem o coração e os vasos sanguíneos). O seu estudo baseou-se na avaliação de dietas de 7 países (Estados Unidos, Finlândia, Holanda, Itália, Iugoslávia, Japão e Grécia) e demonstrou que a dieta da Grécia (no mediterrâneo) era a menos associada a doenças cardiovasculares. Depois deste, diversos outros estudos também apontaram não só para os efeitos preventivos desta dieta em doenças como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), mas também no aumento da expectativa de vida e menor ocorrência de outras doenças crônicas, como Doença de Alzheimer e alguns tipos de câncer.

A dieta mediterrânea tradicional tem sua origem nos países da bacia do Mediterrâneo, onde o clima ensolarado e ameno favorece a produção de muitas frutas e vegetais ao longo do ano. Diante disso, formou-se um modelo alimentar “azeite e salada”, caracterizado pelo consumo de vegetais crus, azeite extra virgem e leguminosas. Além disso, proporciona consumo moderado de produtos lácteos, ovos, peixes e vinho tinto em pequena quantidade. Mais especificamente, a dieta mediterrânea baseia-se no consumo de alimentos como frutas, verduras, legumes, cereais, leguminosas (grão-de-bico, lentilha), oleaginosas (amêndoas, azeitonas e nozes), peixes, leite e derivados (iogurte e queijos), vinhos, azeite de oliva e diversas especiarias. Há também baixo consumo de carnes vermelhas, gorduras de origem animal, produtos industrializados e alimentos ricos em açúcar.

As dietas podem alterar cerca de 60% da microbiota, popularmente chamada de “flora intestinal”, a qual está intimamente ligada à saúde do indivíduo. Embora o conceito de microbiota ainda não seja bem conhecido, o intestino humano é colonizado por milhões de bactérias que contribuem para sua formação. Em um organismo saudável, bactérias que vivem no intestino (como Clostridium, Enterococcus, Lactobacillus e Ruminococcus) estão em equilíbrio. A interação entre dieta e microbiota intestinal é mútua: enquanto a microbiota sobre os nutrientes digeridos, a dieta tem forte impacto no microambiente intestinal. Uma dieta rica em gordura, com alto consumo de carnes vermelhas e carboidratos refinados, pobre em peixes, alimentos vegetais e frutas pode ter um efeito sobre o sistema imunológico, causando disbiose, que é um desequilíbrio entre as bactérias protetoras e as agressoras. A disbiose é um fator de modificação estrutural e funcional da microbiota intestinal, capaz de desencadear inflamação, que já está comprovadamente relacionada ao aparecimento de câncer colorretal, por exemplo.

Evidências sugerem que a microbiota dos indivíduos que seguem a dieta mediterrânea é significativamente diferente de indivíduos que seguem um modelo de dieta ocidental. Esta última tende a aumentar a permeabilidade do intestino, favorecendo a disseminação de substâncias danosas vindas desta alimentação baseada em comidas rápidas em geral ricas em . Por outro lado, a dieta do mediterrâneo estimula uma microbiota intestinal capaz de prevenir o aparecimento de doenças degenerativas crônicas não transmissíveis, pois aumenta diretamente a diversidade de bactérias, bem como possui substâncias antioxidantes e anti-inflamatórias. Isso porque a dieta mediterrânea é composta por diversas moléculas sabidamente benéficas a saúde:  flavonóides (presentes em frutas e vegetais), polifenóis (presente no azeite de oliva), ômega 3 (presente no peixe), taninos (presente no vinho tinto) e, sobretudo, prebióticos, os quais induzem o crescimento de espécies de bactérias benéficas ao intestino e estão representados pelas fibras alimentares. 

Na base do desequilíbrio da flora intestinal humana existem várias causas, como estresse, infecções e, principalmente, os maus hábitos alimentares. Portanto, se o equilíbrio falhar, a microbiota intestinal pode ser alterada em tipo, qualidade e estrutura. Esta temática ainda precisa ser mais estudada, mas os resultados já existentes apontam para os efeitos promissores da dieta mediterrânea na saúde do indivíduo e na prevenção de doenças crônicas, uma vez que a mesma tem impacto direto no equilíbrio bacteriano do intestino. 

Fontes: Giuseppe Merra e colaboradores. Publicado em janeiro de 2021, na revista Nutrients.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7822000/ 

Enviado por: Luiza Elizabete Braun – Acadêmica do curso de Medicina da UFSM e aluna de Iniciação Científica do Laboratório de Biogenômica. 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8218583647133629

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