Esperança: Estudo inicial aponta o antiviral EIDD-2801 como candidato a prevenção e tratamento da COVID-19

Há mais de um ano o mundo convive com os efeitos da crise sanitária e humanitária provocada pelo agente viral SARS-CoV-2, responsável por causar a Covid-19, doença que resultou em morbidade e mortalidade em todos os países. Dada a emergência repetida e acelerada de coronavírus altamente patogênicos, é cada vez mais importante o desenvolvimento de intervenções terapêuticas eficazes.

Na busca por novas alternativas de tratamento para a Covid-19, cientistas descobriram, por meio de testes laboratoriais, que a administração profilática e terapêutica do composto experimental EIDD-2801mostrou-se capaz de reduzir a multiplicação e patogênese dos vírus SARS-CoV e MERS-CoV em camundongos. Por se tratar de um medicamento que pode ser administrado por via oral, o EIDD-2801 pode ser mais facilmente administrado aos pacientes em comparação com o remdesivir e outros antivirais e biológicos que requerem administração supervisionada em ambiente clínico.

Nessa perspectiva, um estudo realizado na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, testou a capacidade do composto antiviral EIDD-2801 de inibir a multiplicação do vírus SARS-CoV-2 em organismos vivos usando uma dose semelhante àquela utilizada em ensaios clínicos humanos. Para isso, camundongos geneticamente modificados foram transplantados com tecido pulmonar humano e posteriormente sofreram administração do composto EIDD-2801 em 24 horas ou 48 horas após a exposição ao vírus SARS-CoV-2 e, subsequentemente, a cada 12 horas depois disso. Os resultados publicados em fevereiro de 2021 na revista Nature mostram que o EIDD-2801 teve um efeito notável na multiplicação do vírus, reduzindo drasticamente o número de partículas infecciosas no tecido pulmonar humano em cerca de 25.000 vezes quando o tratamento foi iniciado 24 horas após a exposição; em comparação, houve redução das partículas virais em 96% quando o tratamento foi iniciado 48 horas após a exposição.

Posteriormente, os pesquisadores também investigaram a eficácia desse mesmo antiviral na profilaxia pré-exposição em um grupo de roedores com as mesmas características do teste anterior. Para esta finalidade, 12 horas antes da exposição ao SARS-CoV-2, EIDD-2801 foi administrado nesses camundongos e a cada 12 horas depois repetiu-se a mesma administração. Os resultados indicam que a profilaxia de pré-exposição com EIDD-2801 reduziu significativamente o número de partículas virais nos tecidos pulmonares humanos presentes nos camundongos em mais de 100.000 vezes em dois experimentos independentes. Dessa forma, esses dados demonstram que a administração profilática de EIDD-2801 é altamente eficaz na prevenção da infecção e patogênese por SARS-CoV-2 em organismos vivos.

Atualmente, ensaios clínicos de Fase II e Fase II-III (pesquisas avaliam a ação de medicamentos em seres humanos) estão em andamento para avaliar a segurança do EIDD-2801em humanos e seu efeito na eliminação viral usando doses de até 1.600 mg/dia duas vezes ao dia. Como acontece com qualquer antiviral, seu uso terapêutico e/ou profilático será ditado pela razão risco/benefício. As limitações do estudo citado incluem a ausência de estruturas de vias aéreas nasais humanas nos camundongos implantados com tecidos humanos, uma vez que esses são consideradas locais precoces de replicação do vírus SARS-CoV-2 em humanos. Além disso, como esse tipo de é camundongo geneticamente modificado, ele não possui um sistema imunológico semelhante ao humano.

A atual pandemia de Covid-19 constitui a maior crise de saúde pública global desse século, fazendo com que a velocidade e o volume de ensaios clínicos projetados para investigar terapias potenciais para essa nova doença destacam a necessidade e a capacidade de produzir evidências de alta qualidade, mesmo diante de um cenário pandêmico. Nessa perspectiva, estudos demonstram que a administração profilática de EIDD-2801 previne com eficiência a infecção por SARS-CoV-2 emorganismos vivos, destacando sua utilidade potencial como agente profilático e terapêutico eficaz contra SARS-CoV-2 e outros coronavírus zoonóticos passados ​​e futuros. Entretanto, é preciso que todos os estudos sejam finalizados para que se tenha maiores evidências da real eficácia e segurança do EIDD-2801. Por enquanto, o melhor a se fazer é prevenir.

Fonte: Wahl et al., 2020. Estudo publicado na revista Nature em 09 de fevereiro de 2021.
Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-021-03312-w

Enviado por: Joana Rosa Rodrigues – acadêmica de Medicina e aluna de iniciação científica Laboratório Biogenômica – UFSM.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1465826570691475

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

14 − sete =