Muito além do hormônio do sono: A melatonina também atua na saúde da pele

A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo através da glândula pineal, sendo conhecido pela população em geral como o hormônio do sono devido a sua ação de regulador de regulador do relógio biológico. Entretanto, embora esta seja sua principal função, a melatonina parece não apenas se restringir a regular o sono, sendo responsável também por executar inúmeras funções que protegem o organismo das mudanças ambientais, atuando na proteção de alterações induzidas pelo envelhecimento no sistema nervoso central, cardiovascular e imunológico.

Além disso, a pele, com seu próprio sistema melatoninérgico totalmente funcional, que confere a ela a capacidade de sintetizar e metabolizar melatonina, sendo a pele beneficiada pela ação protetora da melatonina. Neste caso, a substância atua na prevenção e atenuação dos sinais clínicos do envelhecimento cutâneo devido a sua capacidade de manutenção da homeostase (equilíbrio saudável) da pele, melhorando a hidratação e tonicidade do tecido envelhecido, com redução significativa da aspereza e melhora clínica do aparecimento de rugas.

Os seus benefícios à saúde da pele são provenientes de suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e fotoprotetora. As radiações ultravioletas, provenientes da exposição excessiva ao sol, representam o principal estímulo externo relacionado ao envelhecimento da pele. Isto ocorre devido ao estresse oxidativo gerado por espécies reativas de oxigênio, que são moléculas, produzidas nas mitocôndrias das células, resultantes do metabolismo energético. Quando em excesso, as espécies reativas de oxigênio são responsáveis por promover danos ao DNA celular, podendo acarretar apoptose (morte programada das células).

A molécula de melatonina possui a capacidade de se ligar à essas espécies reativas de oxigênio e neutralizá-las, impedindo que as mesmas causem danos às células, o que confere à esta substância o efeito antioxidante. Além disso, a melatonina também é capaz de estimular a produção de outras enzimas com potencial antioxidante que são sintetizadas pelo nosso organismo e reduzir a produção de citocinas pró-inflamatórias, caracterizando sua propriedade anti-inflamatória. Desta forma, este hormônio é capaz de reduzir o estresse oxidativo causado pelas radiações ultravioletas, desempenhando um papel importante na fotoproteção e na prevenção do fotoenvelhecimento da pele.

Tendo em vista que com o envelhecimento há uma diminuição na produção de melatonina pelo próprio organismo, graças à cosmetologia, hoje é possível que esta substância seja aplicada topicamente sobre a pele. A aplicação tópica de produtos cosméticos contendo melatonina em sua formulação, tem demonstrado não só benefícios no combate ao envelhecimento, mas também como um excelente tratamento terapêutico para patologias cutâneas, tais como dermatite atópica, dermatite seborreica e vitiligo. Além disso, autores relatam também a sua atuação positiva na cicatrização de feridas.

A melatonina tem se mostrado eficiente também no tratamento de outros distúrbios estéticos, como é o caso da queda de cabelo. Estudos sugerem que, quando aplicada topicamente sobre o couro cabeludo, a melatonina registrou resultados clinicamente desejáveis em pacientes com alopecia androgenética (alteração geneticamente determinada, que acomete homens e mulheres, caracterizada pela rarefação e queda dos fios de cabelo), promovendo o aumento da densidade e espessura dos fios, além da diminuição da queda de cabelo.

Outra forma de administração da melatonina é a via oral, entretanto, para o tratamento de distúrbios da pele, acredita-se que a sua ação será maior se administrada por via tópica, visto que, quando ingerida, esta substância é metabolizada no fígado, atingindo baixa concentração no sangue e, consequentemente, chegando até a pele em uma quantidade bastante limitada, o que pode reduzir significativamente sua eficiência.

Os estudos apontam que a produção endógena ou seja, aquela realizada pelo próprio organismo, juntamente com a melatonina e seus metabólitos exógenos aplicados topicamente, parecem ser uma poderosa estratégia de defesa contra os danos causados ​​por fatores externos que contribuem para o envelhecimento da pele, como as radiações ultravioletas provenientes da exposição solar, que acarretam em disfunções mitocondriais, produção excessiva de espécies reativas de oxigênio e danos ao DNA celular. O uso de melatonina aplicada topicamente é uma área muito promissora da medicina preventiva que merece ser levada em consideração no tratamento das diferentes disfunções cutâneas.

Fontes: Rusanova e colaboradores. Publicado em International Journal of Molecular Sciences em 2019.
Disponível em: https://www.mdpi.com/1422-0067/20/19/4948

Enviado por: Nathália Cardoso de Afonso Bonotto – Mestranda em Gerontologia – Universidade Federal de Santa Maria
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4055216682279933

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