Vacinas para Covid-19: A desigualdade social e econômica afeta o acesso

A vacina para Covid-19 existir e ser cientificamente eficaz é uma conquista muito positiva e um avanço sem precedentes da ciência, pois em praticamente um ano foi possível desenvolver a vacina, testá-la e aprovar seu uso em pacientes. Porém, existem muitos fatores envolvidos na sua utilização, como por exemplo fatores econômicos, sociais, os quais influenciam fortemente na capacidade de cada país em adquirir as vacinas e fazer seu uso na população, o que consequentemente gera um acesso desigual as mesmas e isso pode causar sérios danos.

A desigualdade sempre afetou a saúde, por exemplo quando surgiu a terapia antiviral efetiva conta HIV / AIDS, a maioria dos portadores da doença não tinham acesso aos medicamentos, só se tornou possível o acesso pela maioria dos necessitados no ano de 2000, quando foi criado o Fundo Global de Luta contra a AIDS. Outro exemplo é a questão da varíola, em 1970, foi visto que a varíola em qualquer lugar seria varíola e por isso o empenho em erradicá-la em todos os lugares. Ao considerar o contexto da pandemia a desigualdade é maior ainda, uma vez que a pandemia ao afetar a saúde, acaba afetando todos os setores da sociedade (que já são possuem a desigualdade alicerçada). Diante disso, grupos de cientistas têm avaliado não só os avanços científicos em relação às vacinas, mas também a forma como essas irão chegar até as pessoas para então desenvolverem seu efeito e a luta contra a Covid-19 ser vencida. No dia 21 de março de 2021 que 78% das doses das vacinas já em uso para a Covid-19 estavam em apenas 10 países, sendo que no mundo oficialmente agrupados na ONU (Organização das Nações Unidas) se tem 193 países, sendo os países de baixa e média renda os mais afetados, ou seja, os que receberam e recebem menor quantidade de doses.

Embora exista o COVAX, que é um programa de apoio criado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) juntamente com entidades filantrópicas, o qual ele fornece um apoio para a imunização de 20% da população de países de baixa e média renda, isso ainda significa uma pequena parte da população quando considerado o total. A desigualdade na distribuição de doses é um risco a saúde, uma vez que o coronavírus (SARS-CoV-2), como qualquer outro vírus, sofre mutações, isso acaba colocando em risco a eficácia das vacinas, por exemplo, já são conhecidas variantes na África do Sul e no Brasil, as quais estão sendo estudadas a fim de verificar se as novas vacinas serão efetivas frente a elas, se a “resistência” aparecer teremos mais um problema e a corrida para a descoberta e produção será contínua.

Existe a recém-criada Comissão Internacional de AIDS – Lancet sobre Saúde e Direitos Humanos, na qual pesquisadores avaliam a atual situação de desigualdade, assim como estão criando estratégias para intervirem junto aos órgãos responsáveis para a discussão e melhora da distribuição das vacinas, uma vez que a má distribuição além de ser um risco para a saúde também afeta o crescimento dos países que estão em desenvolvimento (por exemplo, os de baixa e média renda). Frente a isso, é necessário que exista um esforço e organização para que seja criado e mantido um sistema abrangente de produção, distribuição e aplicação de vacinas para Covid-19, onde a proporção entre países independentemente da renda seja semelhante, abrangendo o maior número possível de pessoas e baseando-se em vacinas com os melhores dados de eficácia, historicamente isso já funcionou bem quando tratou-se da erradicação da varíola (mencionada acima).

Por fim, o ideal (mesmo que ainda um pouco distante da realidade, uma vez que a tecnologia ainda se concentra em certos locais) é vacinar o máximo de pessoas em todo o mundo no menor intervalo de tempo, literalmente “uma corrida contra o tempo”.

Fonte:  C. Beyrer, P. Allotev, J. J. Amon, S. D. Baral e colaboradores*. Human rights and fair access to COVID-19 vaccines: the International AIDS Society – Lancet Commission on Health and Human Rights. Artigo publicado em 24 de março de 2021.
Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(21)00708-X/fulltext

 Enviado por: Danieli Monteiro Pillar, Aluna do curso de Farmácia-UFSM, Aluna de Iniciação Científica no Laboratório de Biogenômica.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2981912754714259

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