Anticorpos em Spray Nasal poderão ser uma opção de prevenção e tratamento da COVID-19

Na infecção por SARS-CoV-2, o trato respiratório é o principal alvo de uma alta carga viral que causa diversos sintomas graves ao paciente infectado. Pensando em amenizar esses sintomas e combater a infecção viral, muitos cientistas têm desenvolvido diversos métodos para o tratamento da COVID-19, sendo um desses métodos o tratamento com anticorpos monoclonais, que são proteínas usadas pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar corpos estranho. 

Quando o corpo detecta a presença de um invasor, como o caso do SARS-CoV-2, o sistema imune naturalmente passa a produzir anticorpos, que são proteínas especificas destinadas a neutralizar o antígeno invasor, a fim de evitar que ele penetre nas células e se reproduza no organismo. Dessa maneira, os anticorpos monoclonais criados pelos cientistas em laboratório são copias sintéticas dessas proteínas a partir de um anticorpo específico, assim, imitando os anticorpos que são produzidos no organismo humano.

Nesse estudo, os pesquisadores criaram um anticorpo neutralizante de imunoglobulina M (IgM) (IgM-14), que são os anticorpos produzidos na fase aguda, ou seja, a primeira reação de defesa do organismo contra o vírus. Esse anticorpo foi pensando para superar a resistência encontrada em estudos anteriores que utilizaram imunoglobulina G (IgG) (IgG-14), que são anticorpos de resposta um pouco mais tardia frente à infecção.

O anticorpo desenvolvido foi pensando para atuar diretamente no trato respiratório por ser onde o SARS-CoV-2 é encontrado em maior quantidade. Os cientistas administraram pela via nasal de camundongos por meio de um spray injetado no nariz seis horas antes ou seis horas após a infecção por SARS-CoV-2.

O teste com camundongos mostrou que uma única dose intranasal de IgM-14 (anticorpo testado) conferiu eficácia profilática (prevenir) e terapêutica (tratar) contra SARS-CoV-2, ou seja, diminuiu drasticamente a quantidade de vírus nos pulmões dos roedores após dois dias de infecção. Além disso, a administração nasal do anticorpo monoclonal conferiu proteção terapêutica potente contra as variantes P.1 (Brasileira) e B.1.351 (Sul-Africana). Assim, os resultados obtidos nesse estudo demonstraram que a administração intranasal de um IgM projetado pode melhorar a eficácia, reduzir a resistência e simplificar o tratamento profilático e terapêutico da COVID-19.

Fonte: Z. Ku, X. Xie, P. R. Hinton et al. Nasal delivery of an IgM offers broad protection from SARS-CoV-2 variants. Artigo publicado na Revista Nature em 3 de junho de 2021.
Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-021-03673-2_reference.pdf

Enviado por: Andressa Moura Hoppen, nutricionista, acadêmica do curso de Medicina da UFSM e aluna de iniciação científica do Laboratório de Biogenômica.
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/2163772109026664

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

19 − três =