Combinação das vacinas Oxford-Astrazeneca e Pfizer-Biontech aponta indução de resposta imune potente contra a COVID-19

Diversos pesquisadores estão pondo em pauta a discussão de que regimes de vacinação combinados (prime-boost) poderiam desencadear respostas imunológicas ainda mais fortes do que duas doses de uma única vacina. Nesse sentido, pesquisadores espanhóis do Instituto de Saúde Carlos III de Madri estão desenvolvendo um ensaio clínico com mais de 600 pacientes, em que foram aplicadas as vacinas da Oxford-AstraZeneca (ChAdOx1 nCoV-19) e Pfizer-BioNTech em combinação. O ensaio intitulado CombivacS iniciou seus estudos em abril de 2021 e conta com a participação de 663 pacientes que já haviam recebido uma dose da vacina Oxford-AstraZeneca. Seus resultados preliminares apontam que a vacinação com ambas as vacinas induziu uma resposta imune potente contra o SARS-Cov-2. Este estudo foi o pioneiro em demonstrar os benefícios da combinação de duas vacinas diferentes contra a Covid-19.

Dois-terços dos pacientes foram escolhidos aleatoriamente por randomização para receber a vacina da Pfizer-BioNTech pelo menos oito semanas após terem recebido a primeira dose da vacina de Oxford-AstraZeneca. As 232 pessoas restantes foram o grupo controle, o qual não recebeu o reforço . Os resultados apontam que, depois dessa segunda dose, os participantes começaram a produzir níveis muito maiores de anticorpos do que anteriormente, sendo que esses anticorpos foram capazes de reconhecer e inativar o coronavírus em testes laboratoriais. Ainda, sugere-se que a resposta imune do reforço da Pfizer-BioNTech é ainda mais forte que aquela induzida por duas doses da vacina ChAdOx1 nCoV-19. Contudo, tal resposta ainda não foi comparada com duas doses da vacina Pfizer-BioNTech, já que esta é a priori uma vacina de dose única. Houve efeitos colaterais leves nos pacientes e semelhantes àqueles observados nos regimes de vacina padrão. Não houve nenhum efeito grave.

Vale lembrar que a vacina Oxford-AstraZeneca utiliza um adenovírus atenuado que possui a sequência genética da proteína de superfície Spike do coronavírus. Após a vacinação, a proteína Spike é produzida no corpo humano, desencadeando resposta imune que será capaz de atacar precocemente o vírus quando este infectar o corpo. O mecanismo da vacina da Pfizer, por sua vez, é baseado em mRNA (RNA mensageiro sintético), que auxilia o organismo do indivíduo a gerar anticorpos contra o vírus.

O reforço com a vacina Pfizer em pacientes com primeira dose da ChAdOx1 nCoV-19 induziu resposta potente contra a Covid-19. Diante disso, essa combinação também simplificaria a logística de vacinação em duas doses, sobretudo em países que estão sofrendo com ofertas flutuantes de vacinas, como o Brasil. Contudo, uma dúvida que permanece é sobre a necessidade de uma terceira dose na população, a fim de prolongar a imunidade contra novas cepas do coronavírus. Os cientistas preocupam-se com o fato de que doses repetidas de vacinas à base de vírus, como a de Oxford-AstraZeneca, possam ter eficácia cada vez menor, pois o sistema imunológico humano aprende a combater o próprio adenovírus da vacina. Em contrapartida, as vacinas de RNA, como a da Pfizer-BioNTech, tendem a desencadear efeitos colaterais mais fortes com doses adicionais.

Um estudo no Reino Unido, chamado Com-COV também está analisando as combinações das mesmas duas vacinas pesquisadas na Espanha e enviou seus resultados preliminares à revista conceituada The Lancet. Embora muito semelhante ao CombivacS, esse estudo possui algumas diferenças metodológicas, pois aplicou o reforço em um grupo 28 dias após a primeira dose e, no outro, após 84 dias. Ainda, a pesquisa conta com a participação de 830 indivíduos. Em contraste ao que foi encontrado no estudo espanhol, os resultados indicaram aumento da reatogenicidade (capacidade de a vacina gerar efeitos colaterais) no grupo que recebeu duas vacinas diferentes em relação a duas doses da mesma vacina.

Fontes:

Ewen Callaway. Mix-and-match COVID vaccines trigger potent immune response. Publicado na revista Nature News, em maio de 2021.
Disponível em: https://www.nature.com/articles/d41586-021-01359-3

Robert H Shaw e colaboradores. Heterologous prime-boost COVID-19 vaccination: initial reactogenicity data. Publicado na revista The Lancet, em maio de 2021.
Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(21)01115-6/fulltext

Enviado por: Luiza Elizabete Braun – Acadêmica do curso de Medicina da UFSM e aluna de Iniciação Científica do Laboratório de Biogenômica.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8218583647133629


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