O cultivo de mini pulmões e outros órgãos em miniatura pode auxiliar na luta contra a COVID-19

O estudo do vírus SARS-CoV-2, causador da pandemia de COVID-19, tem sido cada vez mais aprimorado. Shuibing Chen, uma bióloga que trabalha com células-tronco em Nova York, e sua equipe passaram quase dois meses cultivando mini pulmões a partir de conglomerados de células humanas. Após o crescimento desses organoides – até o tamanho de uma ervilha –, todos foram contaminados por SARS-CoV-2. A seguir, foram testados medicamentos para ver quais deles trariam benefícios no combate a COVID-19. Entre cerca de 1000 medicamentos testados, Chen encontrou 7 que parecem promissores, incluindo o Remdesivir, que já demonstra certa eficácia contra a doença.

O uso de organoides para o estudo da COVID-19 não é de agora, mas sim iniciou no início de 2020, quando o biólogo holandês Hans Clevers decidiu fazer o teste contaminando mini intestinos para ver se o SARS-CoV-2 afetava o tecido intestinal. Assim, o estudo ajudou a avaliar porque algumas pessoas apresentam problemas digestivos durante o quadro de COVID-19 e identificou outra possível rota de transmissão.

No decorrer de 2020 vários cientistas criaram organoides a fim de estudar quais células o vírus tem como alvo, qual a velocidade de ataque e de que maneira as células agem. Antes disso, o modelo de pesquisa com organoides era utilizado principalmente para estudo da biologia básica, doenças relacionadas ao desenvolvimento e câncer. Essa forma de estudo parece ser revolucionária no campo viral, já que as formas anteriores eram muito limitadas por utilizar células isoladas que não apresentam a mesma resposta que as células normais apresentariam.

Ao utilizarem o pulmão como organoide, os cientistas conseguiram identificar quais são as células mais afetadas pelo vírus, quais são os receptores para sua entrada e que algumas células secretam uma molécula que consegue lidar com a replicação viral. Estudos também foram feitos para variantes emergentes do SARS-CoV-2, descobrindo que a variante identificada pela primeira vez no Reino Unido – e que foi divulgada em todos os meios de comunicação como a mais infecciosa até então – poderia produzir mais vírus infecciosos em estágios posteriores da infecção quando comparado a variantes anteriores, o que explica sua maior transmissibilidade.

Desde então, vários estudos foram feitos e identificaram que o SARS-CoV-2 pode infectar diferentes organoides, explicando os múltiplos danos sofridos por pessoas infectadas. Atualmente, organoides também estão sendo usados na testagem de vacinas com o uso de mini amígdalas, já que elas desempenham papel fundamental na defesa do corpo.

Como essa é uma forma de estudo muito recente no campo viral, muito ainda deve ser aprimorado. Para poder estudar os vírus como um todo, o maior desejo dos cientistas é conseguir interligar os organoides, formando um sistema completo. Assim, os estudos seriam mais precisos pois se assemelhariam mais ao sistema do corpo humano.

Fonte: S. Mallapaty. The mini lungs and other organoids helping to beat COVID. Artigo publicado online na Nature em 26 de maio de 2021.
Disponível em: https://www.nature.com/articles/d41586-021-01395-z

Enviado por: Eduarda Ruch, acadêmica do curso de Medicina da UFSM e aluna de iniciação científica do Laboratório de Biogenômica.
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/2275411296482481

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