Toda a verdade sobre as vacinas

Na China, no século 10 para o combate à varíola, foram relatadas as primeiras intervenções de vírus atenuados no organismo das pessoas. Nesta época, os chineses trituravam cascas de feridas provocadas pela doença e assopravam o pó, com o vírus morto, sobre o rosto das pessoas, como uma forma de combater esse vírus. Porém, foi em 1798 que o termo “vacina” surgiu pela primeira vez, graças a uma experiência do médico e cientista inglês Edward Jenner que introduziu o vírus da varíola bovina e humana em um garoto de oito anos e observou efeitos benéficos contra a varíola. Surgindo então a palavra vacina que deriva justamente de Variolae vaccinae, nome científico dado à varíola bovina.

Outro marco importante, ocorreu em 1881, quando o cientista francês Louis Pasteur começou a desenvolver a segunda geração de vacinas, voltadas a combater a cólera aviária e o carbúnculo. A partir de então, as vacinas começaram a ser produzidas em massa e se tornaram um dos principais elementos para o combate a doenças no mundo.

Mas a final o que são essas “doses de esperança” tão sonhadas nos dias atuais? As vacinas são substâncias biológicas introduzidas no organismo das pessoas a fim de protegê-las de doenças. Na prática a sua função é ativar o sistema imunológico “ensinando” o organismo a reconhecer e combater vírus e bactérias em futuras infecções. Esse processo ocorre pela estimulação do organismo a produzir anticorpos (moléculas que atuam na defesa do organismo) necessários para evitar o desenvolvimento da doença caso a pessoa venha a ter contato com os vírus ou bactérias que são seus causadores. Isso ocorre, uma vez que, as vacinas são compostas por agentes semelhantes aos microrganismos que causam as doenças, por toxinas e componentes desses microorganismos ou pelo próprio agente agressor na forma atenuada ou inativa.

A partir deste princípio, existem diversos tipos de vacinas. Sendo que, cada uma apresenta uma forma diferente do microorganismo ser introduzido no nosso organismo, por outro lado, independente do tipo de vacina, o resultado esperado será sempre o mesmo: a imunização.

A partir desta classificação a vacina atenuada apresenta o vírus ou bactéria enfraquecidos; a vacina inativada contém vírus ou bactéria inativados; a vacina com toxóides apresenta uma versão enfraquecida da toxina produzida pela bactéria e as vacinas com subunidades apresentam apenas partes de vírus ou bactérias.

Para o processo de produção de uma vacina, primeiramente, é realizado a escolha dos componentes do vírus ou da bactéria que irão integrar a vacina e determinar qual será o seu tipo. Após essa escolha, ocorre um processo de investigação em relação a sua ação e qualidade, que é realizado a partir de diferentes fases, ou baterias de testes conhecidos como pré-clínicos, clínicos e pós-produção.

Na Fase pré-clínica os testes são testados em animais e o processo de estudo demora aproximadamente um ano. Na Fase clínica, o estudo é conduzido em humanos e o tempo é variável. Dentro desta fase, os testes são divididos em 3 fases, sendo: Fase 1 avalia os possíveis efeitos colaterais; Fase 2 avalia a eficácia e capacidade de produzir anticorpos; e final ou Fase 3 os ensaios são realizados na população, onde um grupo teste, normalmente composto por milhares de pessoas são vacinadas e acompanhadas para comprovar a segurança e eficácia. Por fim, a Fase pós-produção ocorre pela regulamentação, produção em massa e distribuição da vacina.

Após a aplicação da vacina, em alguns casos, é comum a observação de reações como febre, dor no local da aplicação, dores musculares, ou ainda, outros sintomas como cefaleia, diarreia, etc. Esses sintomas são observados de formas distintas dependendo de cada organismo. Por outro lado, são comuns ao organismo, uma vez que, indicam que o sistema imune está respondendo de forma adequada a vacina.

Atualmente com a vacinação contra a COVID-19, a vacina da AstraZeneca produzida no Brasil pela Fiocruz tem apresentado algumas reações como sensibilidade e/ou dor no local da injeção, dor de cabeça, e fadiga, dor no corpo e mal-estar, febre e calafrios, além de dor nas articulações a náuseas. Esse fato tem gerado, por alguns, dúvidas, receios e medo em se vacinar. Porém como descrito anteriormente, esses sintomas são comuns de ocorrer em torno de até 2 dias após a vacinação, uma vez que, o organismo está respondendo ao processo de vacinação e “aprendendo” a lidar com o vírus e assim estamos nos imunizando. Caso esses sintomas se prolongarem por mais de 4 dias e de forma intensa, deve-se procurar o médico, caso contrário, é um processo comum da vacinação. Em casos de necessidade do uso de medicações, os medicamentos mais recomendados para reações à vacina são paracetamol e dipirona. Em contra partida, o uso de agentes anti-inflamatórios não é recomendado. Isso porque, no desenvolvimento da imunidade contra a vacina, é preciso que ocorra um processo inflamatório, pois é esse processo inflamatório que vai desencadear toda a resposta imunológica, e se você tomar um antiinflamatório você atrapalhará o processo de imunização.

Por fim, é importante novamente salientar a necessidade da vacinação. Para o diretor executivo da Unicef (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância), Anthony Lake: “Poucas coisas tiveram um impacto maior na saúde pública do que vacinas. E poucas coisas hoje são mais eficientes em termos de custo para salvar vidas, fortalecer sociedades e moldar o futuro da saúde humana”. Com esse pensamento, finalizamos com a frase “Vacina Sim”.

Fontes:
Você sabe como funciona uma vacina? Entenda os desafios da vacina contra o coronavírus. Disponível em: coronavirus.saúde.gov.br a partir do link https://coronavirus.saude.mg.gov.br/blog/146-voce-sabe-como-funciona-uma-vacina. Setembro de 2020.

Vacinas: as origens, a importância e os novos debates sobre seu uso. Disponível em: https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/noticias/1263-vacinas-as-origens-a-importancia-e-os-novos-debates-sobre-seu-uso?showall=1&limitstart=. Julho de 2016.

Enviado por: Isabel Roggia, graduada em Farmácia pela Universidade Franciscana (UFN) e Pós-doutoranda em Gerontologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/4020469474371818.

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