Laserterapia no tratamento de aftas recorrentes: funciona mesmo?

A estomatite aftosa recorrente (EAR), também chamada de afta recorrente, é uma lesão comum do revestimento interno da boca, que acomete até 50% da população mundial, afetando principalmente crianças e adolescentes. Clinicamente, ela é caracterizada por ser uma úlcera pequena, redonda ou em forma de ovo, dolorosa, auto curável, com margens bem delimitadas, aparência amarelada ou cinzenta, com bordas avermelhadas. Apesar de pequeno tamanho, afeta a qualidade de vida dos pacientes, já que interfere em ações simples do dia a dia, como comer, beber e falar, causando dor.

A causa para a recorrência não é bem conhecida, mas acredita-se estar relacionada a disfunções do sistema imune, causas genéticas, agentes alérgicos, estresse, deficiência nutricional, mudanças hormonais e até infecções virais. Atualmente, não existe um tratamento curativo que previna a recorrência das aftas; há apenas o tratamento convencional, que inclui os analgésicos, corticosteroides e agentes anti-inflamatórios. 

Como uma tentativa de explorar novos tratamentos, muitos especialistas têm apostado na laserterapia com a aplicação de laser de baixa potência (LBP). Acredita-se que o LBP seja capaz de promover o alívio imediato da dor, acelerar o fechamento da ferida, reduzir o tempo de cura e ter ação anti-inflamatória. Nesse sentido, Han e colaboradores realizaram uma revisão sistemática a fim de avaliar a efetividade e segurança clínica do LBP aplicado no manejo da afta recorrente.

Na análise dos dez estudos escolhidos para revisão, evidenciou-se que o grupo que recebeu a laserterapia, quando comparado ao grupo placebo (que recebeu aplicação de um laser inativo), obteve resultados muito positivos. Houve redução do tempo de cura e do nível de dor (especialmente no que diz respeito ao alívio imediato), redução do tamanho das aftas de acordo com diferentes momentos de acompanhamento, além da não ocorrência de efeitos adversos ou complicações.

Outra comparação foi realizada entre o grupo que recebeu laserterapia e o que recebeu terapia medicamentosa tradicional. Os resultados foram um pouco diferentes: apesar de haver alívio significativo da dor no primeiro grupo em relação ao segundo, não houve diferença relevante na efetividade da cura da afta.

Assim, embora a maioria dos estudos tenha apontado que o tratamento com laser pode aliviar significativamente a dor e facilitar a cura quando comparado com o laser placebo, é difícil concluir se o laser é mais eficaz do que a terapia medicamentosa. O que se percebeu é que sim, o laser tem eficácia. Estudos maiores e mais bem estruturados são, portanto, imprescindíveis para investigar a efetividade do laser no manejo dessas aftas recorrentes.

Fonte: Min Han e colaboradores, 2016. Effectiveness of Laser Therapy in the management of recurrent aphthous stomatitis: a systematic review. Revista Scientifica.
Disponível em: https://doi.org/10.1155/2016/9062430

Enviado por: Tanize Louize Milbradt, acadêmica do Curso de Medicina e aluna de iniciação científica Laboratório Biogenômica – UFSM.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9501880936037755

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 − três =