Pesquisa sugere que ruídos e gemidos das mulheres, durante o sexo, pode ser uma estratégia para acelerar o orgasmo masculino

Muitas pessoas associam gemidos à dor. Por que, então, as pessoas fazem esses barulhos enquanto experimentam o prazer sexual? A ciência explica!

Durante a relação sexual, é comum que fêmeas primatas realizem vocalizações. Essas, podem ser emitidas durante qualquer fase do ato sexual, entretanto o papel dessas vocalizações ainda não é conhecido. Acredita-se que a função seja simplesmente anunciar que a atividade sexual está ocorrendo nas proximidades, o que aumenta a competição masculina e, consequentemente, as chances de acasalamentos também aumentam.

Por outro lado, nos seres humanos, poderia haver uma série de vantagens para as mulheres ancestrais acasalarem com vários homens, pois isso poderia prevenir o infanticídio, uma vez que o aumento do número de parceiros traria dúvidas quanto a paternidade e assim a criança tinha mais chances de sobreviver. Entretanto, muitos anos depois, com a futura pressão para formar relacionamentos com um único homem, o orgasmo feminino poderia ter sido transferido para a função de consolidar a ligação do par, embora as evidências de primatas não humanos sugiram que o orgasmo feminino não evoluiu para isso.

Diante destas dúvidas da evolução humana, foi realizado um estudo com a finalidade de examinar mais detalhadamente o porquê das vocalizações humanas durante as relações sexuais. A pesquisa foi conduzida por meio de auto-relatos femininos sobre o momento e a frequência de suas vocalizações e o contexto em que foram feitas.

O estudo foi dividido em duas fases: 20 mulheres participaram da primeira fase (desenvolvimento de questionário e estudo piloto, como se fosse uma fase de teste) e 71 mulheres heterossexuais ativas, que já haviam experimentado um orgasmo completaram a segunda fase (preenchimento do questionário finalizado). As participantes tinham entre 18 e 48 anos de idade, dentre elas, 49 estavam em um relacionamento monogâmico com uma duração média de aproximadamente 2 anos.

A análise mostrou que as mulheres faziam barulho durante o sexo, mas não necessariamente enquanto estavam tendo um orgasmo. O que é evidente nas respostas à seguinte pergunta: “Que porcentagem de tempo você faz barulho durante o sexo, mesmo quando não terá um orgasmo?”, 25,3% das mulheres relataram fazer ruídos quando não estavam próximas de um orgasmo mais de 90% do tempo, 56,2% mais de 70% do tempo e 79,1% mais de 50% do tempo. Além disso, 66% das participantes relataram usar as vocalizações para acelerar a ejaculação do parceiro, 92% sentiram que as vocalizações aumentaram a autoestima de seus parceiros e 87% relataram usá-las para esta finalidade.

Assim, é possível concluir que algumas vocalizações estão sob controle consciente, possibilitando a manipulação do comportamento do parceiro e, em particular, influenciando o momento de seu orgasmo. Desta forma, as descobertas demonstram que pelo menos um componente dos ruídos e gemidos femininos não é uma consequência reflexa do orgasmo, já que as mulheres, em sua maioria, utilizam isso para manipular o comportamento ejaculatório masculino.

Esta é uma área que carece de pesquisas, e os especialistas acreditam que o resultado da pesquisa reflete o que a sociedade enxerga nas mídias, sejam elas pornográficas ou não, de que gemer estaria associado ao orgasmo e ao prazer sexual. Então, esta seria uma estratégia feminina de fingimento, já que os homens tendem a associar gemidos com orgasmos.

Fonte: BREWER, G.; HENDRIE, C. A. Evidence to Suggest that Copulatory Vocalizations in Women Are Not a Reflexive Consequence of Orgasm. Archives of Sexual Behavior, v. 40, n. 3, p. 559–564, 18 maio 2010.

Enviado por: Camila Klajn Baltar, aluna de Medicina da UFSM

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3205253913171945

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