Mães e Filhos

Impacto da COVID-19 em gestantes

O Ministério da Saúde tomou a decisão de incluir gestantes e puérperas, até duas semanas após o parto, ao grupo de risco do novo coronavírus. Um estudo realizado no Hospital Zhongnan na Universidade de Wuhan na China, analisou os prontuários de nove gestantes, submetidas à cesariana, que testaram positivo para SARS-CoV-2 no terceiro trimestre de gestação. Os sintomas relatados dentro deste grupo foram aqueles considerados normais para COVID-19, não sendo constatado, neste, quadros de pneumonia e óbitos durante o período de monitoramento. O leite materno das mães observadas parecia estar livre de SARS-CoV-2, assim como não foram constatadas infecções fetais intrauterinas, e portanto, casos de neonatos infectados podem ser atribuídos ao contato com o vírus após o parto, alertando para a necessidade de maior atenção e cuidado, a fim de evitar a infecção em recém-nascidos. Desta forma, a inclusão deste novo grupo ao chamado grupo de risco da COVID-19 se deve ao estado imunossupressor e de alterações fisiológicas adaptativas atribuídas à gravidez, o que os torna mais suscetíveis a patógenos respiratórios. Entretanto, este mesmo estudo sugere que mais pesquisas envolvendo um maior número de mulheres, em diferentes fases da gestação e com outros métodos de parto, são necessários para expandir o conhecimento sobre o real efeito da SARS-CoV-2 na saúde de mães e bebês expostos ao vírus. Não se pode afirmar com certeza o verdadeiro impacto do coronavírus em gestantes até a data de hoje.  

Fonte: Chen e colaboradores. Publicado em The Lancet em 2020.
Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0140673620303603

Enviado por: Nathália Cardoso de Afonso Bonotto – Esteticista Pesquisadora – Laboratório Biogenômica – UFSM
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4055216682279933

Suscetibilidade de mulheres grávidas ao Coronavírus

As estatísticas frente à pandemia do SARS-CoV-2 causador da Covid-19 tem evidenciado a necessidade de maiores cuidados em grupos de risco. Quanto às gestantes, apesar da literatura científica incipiente acerca do Covid-19, estudos apontam para a não ocorrência de transmissão vertical, ou seja, da mãe para feto. Em uma revisão conduzida por Liu e colaboradores (2020), no entanto, os efeitos imunológicos da infecção podem sim afetar o bebê.
Em um achado, embora a relação com o Covid-19 não tenha sido confirmada, 18 grávidas em terceiro trimestre de gestação tiveram sintomas comuns. A média de peso dos nascidos girou entre 1500g a 3800g, sendo mais baixa em gêmeos. Ainda, 10 das 18 mulheres tiveram parto prematuro e apresentaram complicações obstétricas, como pré-eclâmpsia, contrações irregulares e histórico de natimorto. Todos os recém nascidos, o liquido amniótico, sangue do cordão umbilical e leite materno apontaram resultado negativo para SARS-CoV-2, no entanto, alguns bebês apresentaram complicações em múltiplos órgãos, sangramento gástrico, insuficiência respiratória e aceleração do batimento cardíaco, sendo esta última a causa de um óbito.
Embora possa responder a infecções, a gestante está sujeita a alterações imunológicas que a tornam mais suscetível a patógenos. Algumas células de defesa têm sua atividade restrita (como os linfócitos B e T), enquanto que a ação hormonal (progesterona e estrogênio) pode levar a inchaço das vias aéreas e redução da capacidade de expansão pulmonar, tornando-a mais vulnerável. Ainda, a alta concentração de fatores inflamatórios (como a Interleucina 17) no plasma, decorrentes da infecção viral, podem levar a quadros inflamatórios na mulher que afetariam o desenvolvimento cerebral do feto, gerando disfunções neuronais a serem posteriormente reconhecidas, como o autismo.
Assim, embora os estudos apontem para a não ocorrência de transmissão vertical, os prejuízos, tanto para a criança quanto para a mãe, decorrente da manifestação do Covid-19 não devem ser ignorados. Mais esforços devem ser empregados para a maior proteção desse grupo de risco e o monitoramento das gestantes contaminadas, mesmo que já curadas, deve ocorrer de forma intensiva.

Enviado por: MSc. Moisés Henrique Mastella
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4345010332881664

Fonte: Liu H. e colaboradores. Why are pregnant women susceptible to COVID-19? An immunological viewpoint. Journal of Reproductive Immunology. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jri.2020.103122

Bebês de mães com COVID-19, haveria transmissão vertical?

Um estudo realizado no Hospital Union em Wuhan, na China, durante a epidemia do novo Coronavírus buscou acompanhar recém- nascidos de mães positivas para COVID-19. Assim, apenas três consentiram a realização do teste em seus bebês, porém todos receberam acompanhamento. Três das quatro gestantes deram à luz por cesariana e uma necessitou de parto emergencial. A questão mais importante é se a COVID-19 pode ser transmitida verticalmente, causando uma infecção clinicamente significativa. Dos três bebês nenhum apresentou resultado positivo para COVID-19. Todos foram isolados em unidades de terapia intensiva e acompanhados clinicamente. Nenhum desenvolveu sintomas clínicos graves relacionados à doença. Os quatro bebês estavam vivos no momento da alta, sendo alimentados com fórmula desde o nascimento. Dois apresentaram erupções cutâneas de etiologia desconhecida ao nascimento, sendo um deles o que não realizou o teste para a COVID-19 e um apresentou ulcerações faciais. Um bebê apresentou taquipneia, sendo necessário o uso de ventilação mecânica não invasiva durante 3 dias. Ainda são poucas as evidências para a afirmação de que não há risco de transmissão vertical para o novo Coronavírus, concordam os autores, são necessárias mais pesquisas, já que o teste atual garante uma confiabilidade de apenas 71%.

Fonte: Chen e colaboradores 2020, Publicado na Revista Frontiers in Pediatrics Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fped.2020.00104/full.

Enviado por: Esp. Elorides de Brito
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9946571409719801

Mãe e Filhos: Orientações CDC

Mães e Filhos 2

A morte de gestante por COVID-19 ocorreu hoje (06/04/2020) no Brasil em Recife – Pernambuco. O caso chamou a atenção do país. Entretando, já existem orientações e protocolos disponibilizados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos sobre o assunto.

Leia mais no Comentário elaborado pela Jornalista Paula de Oliveira Sá com base nas orientações do, e publicado pela Revista Amazonense de Geriatria e Gerontologia.

Orientação provisória sobre aleitamento materno para mãe confirmada ou sob investigação do COVID-19
Autora: Paula Oliveira de Sá

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